Especialista
alerta sobre a importância da consciência ambiental
Na encíclica Laudato Si', a primeira sobre o meio
ambiente, o Papa Francisco levanta a questão de que “nunca é demais insistir
que tudo está interligado”. Não se pode relacionar a natureza sem a sociedade. As
razões, pelas quais um lugar é destruído na lógica ambiental, exigem uma
análise do funcionamento da sociedade, da economia, do comportamento e
das maneiras de entender a realidade. A engenheira ambiental Ágatha Tommasi,
de 25 anos, ressalta que não se deve pensar nos rios poluídos, sem preocupar-se
com as mudanças climáticas. Para ela, estamos em um momento em que é preciso
refletir a fim de aumentar a consciência ambiental na sociedade.
Para Ágatha, a carta do Papa veio em um momento chave, tendo em vista a
21ª Conferência do Clima (COP 21) que será no final de novembro, em Paris. A
engenheira ambiental, que representa a América Latina e Caribe no Parlamento
Mundial da Juventude pela Água, acredita que mostrar a
posição da igreja também é uma forma de pressão política. Com o intuito de
aumentar a participação jovem na política internacional, ela ajudou a criar o
Parlamento Nacional da Juventude pela Água.
- Percebi que o nosso continente é o único que ainda não tem uma rede de
jovens atuante em prol do meio ambiente. O fato é contraditório, pois temos a
maior parte das águas doces superficiais do mundo: 12% delas estão no Brasil. O
país com dimensões continentais, biodiversidade rica, biomas distintos e diversas
bacias hidrográficas precisa ter a sua própria rede de jovens. Tendo isto em
vista, a Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRH) deu o apoio
institucional para criarmos o Parlamento Nacional (PNJA).
No texto Um mundo vivo, Déborah Danowski, diretora do Departamento de
Filosofia da PUC-Rio, contrapõe as ideias da Laudato Sí com o Manifesto
Ecomodernista. Enquanto na encíclica se fala que a natureza tem um valor
intrínseco em que nada é desprezível, os autores do Manifesto criaram o
conceito de “descolamento”, que aborda a questão da tecnologia atingindo um
estado que, em breve, superará seus custos materiais e os impactos ambientais.
“O nosso
continente
é o único
que ainda
não tem
uma rede de
jovens atuantes
em prol do
meio ambiente”
Ágatha Tommasi
Engenheira ambiental
“Estaria
assim realizado o sonho antrópico dos Modernos, o de um pós-ambientalismo onde
o homem se verá circundado, sustentado apenas por si mesmo. Não explicam, é
claro, onde iremos guardar o lixo nuclear. Nem o que faremos todos quando não
houver mais peixes nos mares, quando as secas e inundações tiverem arrasado
regiões ou países inteiros, ou quando a Floresta Amazônica, transformada
progressivamente em savana, tiver sofrido um incêndio de proporções
inimagináveis", escreveu Déborah.
Os ecomodernistas acreditam que a tecnologia irá ajudar na diminuição
dos impactos ambientais, enquanto para Weiler Filho, professor de
Fotojornalismo da PUC-Rio, pequenas atitudes diárias já fazem a diferença.
- Às vezes, eu
entro no elevador da PUC e espero as pessoas falarem em que andar elas vão.
Normalmente, se eu vou a um andar e o elevador não for parar no meu, eu desço
no andar que parar e subo ou desço o lance de escadas para o elevador não parar
apenas para uma pessoa.
O fotógrafo ainda
revela que costuma pegar o produto que está mais perto de ser consumido na
prateleira do mercado, justamente, porque as pessoas preferem comprar o que
dura mais uma semana.
Participação
na COP 21
Entre 30 de novembro a 11 de dezembro, a engenheira
Ágatha Tommasi estará presente na COP 21, em Paris. Com a participação de 196
países, a conferência internacional tem o objetivo de firmar um novo acordo
para diminuir as emissões de gases estufa, com a intenção de substituir o Protocolo
de Kyoto. Ágatha irá participar do evento por meio de uma organização
brasileira voltada para aumentar a influência dos jovens na política
internacional, a Engajamundo, e pelo Parlamento Mundial da Juventude
pela Água, do qual participa como representante da América do Sul e Caribe.
Ela ficou responsável de fazer um levantamento da
influência da água na América do Sul, Central e Caribe. O foco da engenheira
ficou em quatro países: Brasil, Argentina, Barbados e Haiti. Segundo ela, é
preciso envolver a problemática da água com as mudanças climáticas, que estão
completamente conectados. Assim como o papa afirma na encíclica, que “é
fundamental buscar soluções integrais que considerem as interações dos sistemas
naturais entre si e com os sistemas sociais”. Além desta questão, a COP 21 tem
como temas principais a reafirmação
do multilateralismo como espaço coletivo de tomada de decisões sobre um tema
que atravessa fronteiras físicas e atmosféricas e as Contribuições Intencionais
Nacionalmente Determinadas, chamadas de INDCs, que definem quanto, como e
quando os países irão reduzir suas emissões.O Brasil ainda é um dos
países que não apresentou o seu plano para a redução da emissão de gases.
Jovens
atuam em prol da água
Recém-formada pela PUC-Rio, Ágatha Tommasi se dedica no
trabalho de aumentar a participação dos jovens nas políticas internacionais.
Agora, ela é dona de uma nova conquista: a criação do Parlamento Nacional da
Juventude pela Água (PNJA). Pensando, à princípio, no 8º Fórum Mundial de Água,
que será no Brasil em 2018, a Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRH),
a Secretaria Internacional de Águas e Rede Brasil de os Organismos de Bacias
Hidrográficas (REBOB) contribuíram para que essa iniciativa saísse do papel
junto aos jovens.
Segundo o Parlamento, o
objetivo é remodelar o futuro tomando parte em discussões relacionadas à temática
da água, enfatizar a importância dos jovens nos processos de tomada de
decisões. Além disso, pretende criar e estimular plataformas de participação deles
e levar o conhecimento em nível local, estadual, regional e nacional.
Ágatha considera a
inserção dos jovens no próximo Fórum um ganho significativo e conta quais são
os planos para os próximos anos.
- Estamos organizando
eventos com o comitê organizador do próximo Fórum para os próximos três anos.
Em todos eles, vai ter uma participação jovem. Nós queremos que a juventude
entenda que o que estão discutindo também são problemas nossos. Nós queremos
mostrar que o jovem também é o líder de amanhã. Nós podemos sim trazer
conhecimento e consciência para as pessoas. Além disso, podemos também ter um
espaço nas discussões políticas.
Os jovens de todas as áreas de
conhecimento e com diversas vocações e talentos são convidados a se
candidatar. Os membros do Parlamento deverão ser facilitadores na criação de
parcerias para o desenvolvimento e condução de atividades no âmbito local,
regional e nacional, além de atuarem na formação de novas lideranças e em
processos de mobilização social e educação científica e ambiental pelas águas.
A engenheira enfatiza que a água faz
parte de tudo e a escassez desse recurso é um grande problema. Para a
especialista, a ONU tem um grande medo de que a água vire um motivo de guerra
ou uma moeda de troca por ser precioso e escasso.
O Papa Francisco nos lembra de algo muito importante: tudo está conectado. Nossa ação pode causar consequências em todo o campo social. E o mais grave: nossas atitudes hoje podem levar a sérias alterações climáticas e ambientais no futuro. Mas como mudar essa realidade? Algo que me chamou a atenção nessa matéria é quando a engenheira ambiental Ágatha Tommasi afirma que o continente Americano é o único que ainda não tem uma rede de jovens que atuem em prol do meio ambiente. A ação precisa começar por nós para que através de nossas atitudes possamos influenciar nossos pais e toda a nossa família. Precisamos pensar sobre o nosso futuro, sobre o futuro de nossos filhos e consequentemente, o futuro de onde eles vão viver – do nosso planeta.
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