terça-feira, 6 de outubro de 2015

Papa preocupado com a "casa comum"

Sumo-pontífice convidou todos a refletirem sobre o futuro do planeta

Vítor Dagne


O sumo-pontífice da Igreja Católica, o Papa Francisco, se tornou mais uma voz a alertar a sociedade em relação ao futuro do nosso planeta, ou “casa comum”, como chama na Encíclica Laudato Si', divulgada em junho deste ano. Um dos principais temas abordados foi a crise hídrica que o mundo atravessa. Na defesa dos mais pobres, o Papa defendeu que “este mundo tem uma grave dívida social para com os pobres que não têm acesso à água potável, porque isto é negar-lhes o direito à vida radicado na sua dignidade inalienável”.

Na mesma linha de pensamento está a técnica de planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Maria da Piedade Morais. Uma das editoras do livro O Direito à Água como Política Pública na América Latina, Maria da Piedade também enxerga desigualdade no acesso à água. “Em geral a população pobre que não tem acesso aos serviços de água potável acaba pagando mais pela água fornecida pelos carros pipa, ou então consome água de pior qualidade. A própria crise que cidades como Rio de Janeiro e São Paulo estão enfrentando é um exemplo de alguns dos problemas que as grandes metrópoles se deparam quando não privilegiam o direito humano à água e a responsabilidade do setor público pela provisão dos serviços”.

Exemplo em casa

Conscientizar parece ser o verbo do presente. É necessário perceber que os problemas ambientais não afetam uma determinada classe ou área e sim a todos. E é de casa que se aprende. O estudante Igor Marcellos, de 22 anos, aprendeu dos pais o valor da preservação e cuidado com o planeta:

- Meu pai sempre gostou de viajar para Ilha Grande, Paraty, fazer trilhas. E esse contato com a natureza se transformou em carinho. Não consigo imaginar alguém que não olhe para o planeta e veja ou sentindo o que está acontecendo. Busco sempre fazer minha parte. Ando menos de carro, economizo luz e água. É trabalhoso, mas no final acabo sendo recompensado, pois com a economia em prol do planeta, economizo dinheiro também.

O pensamento de Igor coincide com o pensamento do Papa Francisco na Encíclica. Ao dizer que “as mudanças climáticas são um problema global com graves implicações ambientais, sociais, econômicas, distributivas e políticas, constituindo atualmente um dos principais desafios para a humanidade”, o Pontífice mostra que tudo e todos são afetados pela situação ambiental do planeta.


“As mudanças climáticas
 são um problema
 global com graves
 implicações ambientais,
sociais, econômicas,
 distributivas e
políticas, constituindo
 atualmente um dos principais
 desafios para a humanidade”

Papa Francisco


Política e Ecologia

Por mais que a temática da água e da preservação do meio ambiente em geral esteja ganhando cada vez mais força, ainda é possível encontrar pessoas que desacreditam das previsões. O aposentado Gentil Ignácio, de 75 anos, é um desses exemplos:

- Eu até sinto o clima mais quente do que era na minha época, mas acredito que isso seja pela quantidade de prédios e pela menor quantidade de árvores. Acho que esses grupos, ONGs, etc exageram muito. Vejo toda essa campanha como algo mais político do que necessário em si, as pessoas sempre têm um interesse por trás.

A visão de Gentil vai contra ao que pensa o Papa Francisco. Se o aposentado acredita que a defesa da causa ecológica tem um fundo político, o Pontífice critica os políticos por falta de interesse na causa. Para o Francisco, “muitos daqueles que detêm mais recursos e poder econômico ou político parecem concentrar-se, sobretudo em mascarar os problemas ou ocultar os seus sintomas, procurando apenas reduzir alguns impactos negativos de mudanças climáticas. Mas muitos sintomas indicam que tais efeitos poderão ser cada vez piores, se continuarmos com os modelos atuais de produção e consumo”.

Uma boa oportunidade para os políticos mudarem essas opiniões será na a 21ª Conferência do Clima (COP 21), em Paris, que acontecerá em dezembro. Organizado pela ONU (Organização das Nações Unidas), o encontro vai reunir os líderes dos principais países e terá como principal objetivo costurar um novo acordo entre os países para diminuir a emissão de gases de efeito estufa, e diminuir o aquecimento global.

Nenhum comentário:

Postar um comentário