Sumo-pontífice
convidou todos a refletirem sobre o futuro do planeta
O
sumo-pontífice da Igreja Católica, o Papa Francisco, se tornou mais uma voz a alertar a sociedade em relação ao futuro do nosso planeta, ou “casa comum”,
como chama na Encíclica Laudato Si',
divulgada em junho deste ano. Um dos principais temas abordados foi a crise
hídrica que o mundo atravessa. Na defesa dos mais pobres, o Papa defendeu que
“este mundo tem uma grave dívida social para com os pobres que não têm acesso à
água potável, porque isto é negar-lhes o direito à vida radicado na sua
dignidade inalienável”.
Na
mesma linha de pensamento está a técnica de planejamento e pesquisa do Instituto
de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Maria da Piedade Morais. Uma das editoras
do livro O Direito à Água como Política
Pública na América Latina, Maria da Piedade também enxerga desigualdade no
acesso à água. “Em geral a população pobre que não tem acesso aos serviços de
água potável acaba pagando mais pela água fornecida pelos carros pipa, ou então
consome água de pior qualidade. A própria crise que cidades como Rio de Janeiro
e São Paulo estão enfrentando é um exemplo de alguns dos problemas que as
grandes metrópoles se deparam quando não privilegiam o direito humano à água e
a responsabilidade do setor público pela provisão dos serviços”.
Exemplo em casa
Conscientizar
parece ser o verbo do presente. É necessário perceber que os problemas
ambientais não afetam uma determinada classe ou área e sim a todos. E é de casa
que se aprende. O estudante Igor Marcellos, de 22 anos, aprendeu dos pais o
valor da preservação e cuidado com o planeta:
-
Meu pai sempre gostou de viajar para Ilha Grande, Paraty, fazer trilhas. E esse
contato com a natureza se transformou em carinho. Não consigo imaginar alguém
que não olhe para o planeta e veja ou sentindo o que está acontecendo. Busco
sempre fazer minha parte. Ando menos de carro, economizo luz e água. É
trabalhoso, mas no final acabo sendo recompensado, pois com a economia em prol
do planeta, economizo dinheiro também.
O
pensamento de Igor coincide com o pensamento do Papa Francisco na Encíclica. Ao
dizer que “as mudanças climáticas são um problema global com graves implicações
ambientais, sociais, econômicas, distributivas e políticas, constituindo
atualmente um dos principais desafios para a humanidade”, o Pontífice mostra
que tudo e todos são afetados pela situação ambiental do planeta.
“As mudanças climáticas
são um problema
global com graves
implicações ambientais,
sociais, econômicas,
distributivas e
políticas, constituindo
atualmente um dos principais
desafios para a humanidade”
Papa Francisco
Política e Ecologia
Por
mais que a temática da água e da preservação do meio ambiente em geral esteja
ganhando cada vez mais força, ainda é possível encontrar pessoas que
desacreditam das previsões. O aposentado Gentil Ignácio, de 75 anos, é um
desses exemplos:
-
Eu até sinto o clima mais quente do que era na minha época, mas acredito que
isso seja pela quantidade de prédios e pela menor quantidade de árvores. Acho
que esses grupos, ONGs, etc exageram muito. Vejo toda essa campanha como algo
mais político do que necessário em si, as pessoas sempre têm um interesse por
trás.
A
visão de Gentil vai contra ao que pensa o Papa Francisco. Se o aposentado
acredita que a defesa da causa ecológica tem um fundo político, o Pontífice
critica os políticos por falta de interesse na causa. Para o Francisco, “muitos
daqueles que detêm mais recursos e poder econômico ou político parecem
concentrar-se, sobretudo em mascarar os problemas ou ocultar os seus sintomas,
procurando apenas reduzir alguns impactos negativos de mudanças climáticas. Mas
muitos sintomas indicam que tais efeitos poderão ser cada vez piores, se
continuarmos com os modelos atuais de produção e consumo”.
Uma
boa oportunidade para os políticos mudarem essas opiniões será na a 21ª
Conferência do Clima (COP 21), em Paris, que acontecerá em dezembro. Organizado
pela ONU (Organização das Nações Unidas), o encontro vai reunir os líderes dos
principais países e terá como principal objetivo costurar um novo acordo entre
os países para diminuir a emissão de gases de efeito estufa, e diminuir o
aquecimento global.
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