quinta-feira, 1 de outubro de 2015

‘Laudato Sí’, uma carta sobre o cuidado da casa comum


      
      Lançado em 18 de junho, o documento é um chamado à reflexão

                                                                                                    Rayanderson Guerra 






      Laudato Si', sobre o  cuidado da casa comum. A carta encíclica em que o Papa Francisco faz um apelo à proteção da casa comum – o planeta – coloca em pauta o desafio de proteger e unir a sociedade na busca do desenvolvimento sustentável e integral. O esgotamento de recursos naturais, catástrofes e a depredação humana contra a natureza abre precedente para discussões amplas sobre o cuidado da Terra. O documento escrito pelo líder da Igreja Católica, Jorge Mario Bergoglio, agora Francisco, é analisado pelo aspecto social, ambiental e científico.  A noção de progresso a qualquer custo, chamado de paradigma tecnocrático dominante afeta, sobretudo, os mais pobres.

    A “encíclica verde” Laudato Si' foi lançada no dia 18 de junho por Francisco e, segundo o Reitor da PUC-Rio, padre Josafá Carlos de Siqueira, o documento converge às preocupações da ciência, religião e da sociedade sobre o meio ambiente.

     – A proposta do Papa Francisco é a visão mais integradora da realidade. A Encíclica é um documento reflexivo, que vai na linha da reflexão filosófica, teológica e social, e tem uma novidade em relação aos demais documentos produzidos pela Igreja: essa Encíclica não é voltada somente ao mundo católico. É voltado para todos aqueles que habitam a casa comum.

“Encíclica não é
 voltada somente
 ao mundo católico.
 A proposta
 do Papa Francisco
 é a visão mais
 integradora
 da realidade”

Reitor, padre Josafá Carlos de Siqueira.

     O engenheiro de alimentos Ricardo Alberigi Guimarães, de 27 anos, mora em um condomínio na Barra da Tijuca. O cenário do local há um ano, segundo ele, era lamentável. O esgoto produzido pelos três prédios, cada um com 32 apartamentos, era lançado sem tratamento na Lagoa de Marapendi.  Depois de os moradores se organizarem e pressionarem a administração do condomínio, uma estação de tratamento própria foi construída e o esgoto tratado. Segundo Ricardo, a visão de um planeta mais equilibrado ambientalmente e socialmente, como descrito na Laudato Si', é importante para a reflexão sobre o mundo que queremos.

     – A conscientização é um processo longo, mas necessário. O que eu sempre digo para os meus vizinhos é que o que não pode acontecer é acharmos que somente o tratamento do esgoto do nosso condomínio basta. Precisamos de medidas para conscientização que chegue a mais pessoas para tratar e recuperar o que já foi feito de prejudicial ao meio ambiente – disse Ricardo.

Amazônia em pauta


   A Amazônia é mencionada na Encíclica como “pulmão do planeta repleto de biodiversidade”. O Pontífice reconhece a importância da área para o futuro da humanidade. Este pensamento está inserido no primeiro capítulo da carta e se refere à preservação da biodiversidade.
     “A importância destes lugares para o conjunto do planeta e para o futuro da humanidade não se pode ignorar. Os ecossistemas das florestas tropicais possuem uma biodiversidade de enorme complexidade, quase impossível de conhecer completamente, mas quando estas florestas são queimadas ou derrubadas para desenvolver cultivos, em poucos anos perdem-se inúmeras espécies, ou tais áreas transformam-se em áridos desertos”.


Laudato Sí, um apelo à COP 21


     Nos dias 7 e 8 de dezembro, representantes dos 196 países que participam da Organização das Nações Unidas (ONU) vão se reunir, em Paris, para discutir políticas sobre as mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável. A Convenção tem como objetivo costurar um novo acordo global que possa substituir o Protocolo de Kyoto.
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Mônica Vieira Teixeira, ressalta a importância do Brasil na mediação de acordos internacionais sobre o meio ambiente. Segundo Izabella, as soluções para um tratado devem se basear em três pontos: a defesa das diferenças nacionais, financiamentos e adaptação. O Brasil, segundo ela, está engajado em viabilizar um acordo global na COP 21
     – Deveremos trabalhar soluções em relação a essa negociação. Como fazer com que os países possam convergir com o compromisso de aumento (limite) de até dois graus de temperatura nesse século, defendendo as diferenças nacionais. Também estamos engajados em buscar cooperar com países desenvolvidos para buscar soluções de financiamento importantes. E avançar no debate sobre adaptação, não estamos cuidando apenas dos aspectos de mitigação, entendemos que o acordo de Paris deve ter além de soluções financeiras e econômicas, uma solução balanceada entre mitigação e adaptação.
Em relação à Encíclica Laudato Si', Izabella é categórica. “Ele não é só um documento religioso, é para os crentes e não crentes. É um movimento para o mundo.” Discutir um desenvolvimento mais sustentável e com inclusão social, segundo ela, é o principal ponto do documento.

     – Quando o Papa traz para o homem essa interdependência com o ambiente não é diferente do discurso de desenvolvimento sustentável, na realidade, apenas enriquece e em uma linguagem pastoral que o homem comum entende. A grande riqueza do trabalho do Papa é fazer com que cada um no planeta, católico, ou não, crente ou não crente, possa compreender que o seu papel pode fazer a diferença para um planeta mais justo e mais sustentável – conclui a ministra.

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