Lançado em 18 de junho, o documento é um chamado à reflexão
Laudato Si', sobre o cuidado da casa comum. A
carta encíclica em que o Papa Francisco faz um apelo à proteção da casa comum –
o planeta – coloca em pauta o desafio de proteger e unir a sociedade na busca
do desenvolvimento sustentável e integral. O esgotamento de recursos naturais,
catástrofes e a depredação humana contra a natureza abre precedente para
discussões amplas sobre o cuidado da Terra. O documento escrito pelo líder da
Igreja Católica, Jorge Mario Bergoglio, agora Francisco, é analisado pelo
aspecto social, ambiental e científico.
A noção de progresso a qualquer custo, chamado de paradigma tecnocrático
dominante afeta, sobretudo, os mais pobres.
A
“encíclica verde” Laudato Si' foi
lançada no dia 18 de junho por Francisco e, segundo o Reitor da PUC-Rio, padre
Josafá Carlos de Siqueira, o documento converge às preocupações da ciência,
religião e da sociedade sobre o meio ambiente.
– A
proposta do Papa Francisco é a visão mais integradora da realidade. A Encíclica
é um documento reflexivo, que vai na linha da reflexão filosófica, teológica e
social, e tem uma novidade em relação aos demais documentos produzidos pela
Igreja: essa Encíclica não é voltada somente ao mundo católico. É voltado para
todos aqueles que habitam a casa comum.
“Encíclica
não é
voltada somente
ao mundo católico.
A proposta
do Papa Francisco
é a visão mais
integradora
da realidade”
Reitor,
padre Josafá Carlos de Siqueira.
O engenheiro de alimentos Ricardo Alberigi Guimarães, de 27 anos, mora em um
condomínio na Barra da Tijuca. O cenário do local há um ano, segundo ele, era
lamentável. O esgoto produzido pelos três prédios, cada um com 32 apartamentos,
era lançado sem tratamento na Lagoa de Marapendi. Depois de os moradores se organizarem e pressionarem
a administração do condomínio, uma estação de tratamento própria foi construída
e o esgoto tratado. Segundo Ricardo, a visão de um planeta mais equilibrado
ambientalmente e socialmente, como descrito na Laudato Si', é importante para a reflexão sobre o mundo que queremos.
–
A conscientização é um processo longo, mas
necessário. O que eu sempre digo para os meus vizinhos é que o que não pode
acontecer é acharmos que somente o tratamento do esgoto do nosso condomínio
basta. Precisamos de medidas para conscientização que chegue a mais pessoas
para tratar e recuperar o que já foi feito de prejudicial ao meio ambiente –
disse Ricardo.
Amazônia em
pauta
A Amazônia é mencionada na Encíclica como “pulmão do planeta
repleto de biodiversidade”. O Pontífice reconhece a importância da área para o
futuro da humanidade. Este pensamento está inserido no primeiro capítulo da
carta e se refere à preservação da biodiversidade.
“A importância destes lugares para o conjunto do planeta e para o
futuro da humanidade não se pode ignorar. Os ecossistemas das florestas
tropicais possuem uma biodiversidade de enorme complexidade, quase impossível
de conhecer completamente, mas quando estas florestas são queimadas ou
derrubadas para desenvolver cultivos, em poucos anos perdem-se inúmeras
espécies, ou tais áreas transformam-se em áridos desertos”.
Laudato Sí, um apelo à COP 21
Nos dias 7 e 8 de dezembro, representantes dos 196 países que
participam da Organização das Nações Unidas (ONU) vão se reunir, em Paris, para
discutir políticas sobre as mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável.
A Convenção tem como objetivo costurar um novo acordo global que possa substituir o Protocolo de Kyoto.
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Mônica
Vieira Teixeira, ressalta
a importância do Brasil na mediação de acordos internacionais sobre o meio
ambiente. Segundo Izabella, as soluções para um tratado devem se basear em três
pontos: a defesa das diferenças nacionais, financiamentos e adaptação. O
Brasil, segundo ela, está engajado em viabilizar um acordo global na COP 21
–
Deveremos trabalhar soluções em relação a essa negociação. Como fazer com que
os países possam convergir com o compromisso de aumento (limite) de até dois
graus de temperatura nesse século, defendendo as diferenças nacionais. Também
estamos engajados em buscar cooperar com países desenvolvidos para buscar
soluções de financiamento importantes. E avançar no debate sobre adaptação, não
estamos cuidando apenas dos aspectos de mitigação, entendemos que o acordo de
Paris deve ter além de soluções financeiras e econômicas, uma solução
balanceada entre mitigação e adaptação.
Em
relação à Encíclica Laudato Si',
Izabella é categórica. “Ele não é só um documento
religioso, é para os crentes e não crentes. É um movimento para o mundo.”
Discutir um desenvolvimento mais sustentável e com inclusão social, segundo
ela, é o principal ponto do documento.
– Quando o Papa traz para o homem essa interdependência com o ambiente
não é diferente do discurso de desenvolvimento sustentável, na realidade, apenas
enriquece e em uma linguagem pastoral que o homem comum entende. A grande riqueza
do trabalho do Papa é fazer com que cada um no planeta, católico, ou não,
crente ou não crente, possa compreender que o seu papel pode fazer a diferença
para um planeta mais justo e mais sustentável – conclui a ministra.
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