'Laudato Sí' reforça o debate sobre o aquecimento global
As críticas feitas na encíclica Laudato Si' publicada pelo Papa Francisco propõe um debate sobre o meio ambiente e uma “revolução cultural” para salvar o planeta. O texto que critica os poderes políticos, econômicos e sociais faz um apelo aos países mais ricos para que criem um modelo de desenvolvimento mais sustentável.
Mas não é só aos representantes dos países a quem Francisco se dirige em seu texto. Como o próprio Papa deixa claro logo nas primeiras linhas: “a todo o mundo católico e a todas as pessoas de boa vontade”. A designer de interiores Fernanda Rebelo, de 23 anos, é uma dessas pessoas. Ela trabalha com projetos de design social que transforma estruturas utilizando apenas materiais sustentáveis. “O planeta já vem respondendo agressivamente aos maus tratos. O uso de materiais renováveis é como um pequeno passo, que se feito por cada indivíduo, começará a contribuir para melhorar não só do planeta mas o ambiente a sua volta, reduzindo o impacto ambiental. Reutilizando os materiais muitas vezes, as pessoas economizam, customizam e se divertem, criando objetos personalizados e artesanais.”
Em meio à discussão sobre os problemas climáticos que ocorrem em todo mundo, ainda há quem acredite que o aquecimento global seja um exagero. Esse é o caso do estudante de engenharia Rafael Alves. Aos 23 anos, o rapaz não se preocupa com o futuro: “Já não tem um monte de ecochato que se preocupa em dobro? Bom que se preocupa por mim”. A carta papal tenta alcançar pessoas como Rafael e incentivar iniciativas como as da Fernanda. Além de unir as religiões para salvar a nossa Casa Comum.
“O uso de materiais
renováveis é como
um pequeno passo,
que se feito por
cada indivíduo,
começará a
contribuir para
melhorar o ambiente
a sua volta”
Fernanda Rebello
Designer de interiores
COP 21: esperança para o meio ambiente
Na 21ª Conferência das Partes da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 21), líderes dos países devem assinar um novo acordo para limitar o aumento da temperatura do planeta. O encontro que acontecerá em Paris, entre o dia 30 de novembro e 11 de dezembro, é o mais importante para decidir o rumo do aquecimento global. O evento vai reunir mais 40 mil participantes de mais de 200 países e cerca de 3 mil jornalistas.
Os debates e as tentativas de negociações sobre as medidas climáticas a serem tomadas costumam ser marcados por rixas entre os países que participam da reunião. O que pode mudar esse ano. Desde o lançamento da encíclica de Francisco, criou-se uma expectativa de que o capital político do pontífice ajude a encaminhar as negociações que irão acontecer daqui a dois meses. Ao deixar o termo técnico de lado, o Papa Francisco apresentou de forma didática os efeitos do aquecimento global e foi muito elogiado pelos cientistas. Uma das grandes discussões nas últimas conferências é a adequação das medidas a todos os países presentes.
Em seu texto, o Papa entende que não há uma única fórmula para combater o aquecimento global. “Não se pode pensar em receitas uniformes, porque há problemas e limites específicos de cada país ou região. Também é verdade que o realismo político pode exigir medidas e tecnologias de transição, desde que estejam acompanhadas pelo projeto e a aceitação de compromissos graduais vinculativos”, explica.
Construções sustentáveis: menor impacto ambiental
- O planeta está entrando em colapso aos poucos e as pessoas estão precisando se readaptar cada vez mais. Como uma das medidas para minimizar o impacto ambiental, a designer de interiores Fernanda Rebelo acredita que a arquitetura verde pode contribuir positivamente. O esgotamento de recursos naturais no planeta já começa a dar sinais e as pessoas precisam começar a se readaptar a uma nova estrutura de produção e consumo.
Para Fernanda, a arquitetura sustentável é um caminho. O viés ecofriendly, a utilização de materiais renováveis nas construções e outras medidas sustentáveis ajudam na redução de impactos ambientais. A vida útil que costuma ser muito mais alta do que projetos comuns ainda não parece ser suficiente para que o país dê a atenção necessária e invista nesse tipo de arquitetura.
A encíclica Laudato si' do Papa Francisco lançada no dia 18 de junho sobre o meio ambiente refletiu sobre os modelos de produção e de consumo nas estruturas de poder que hoje regem as sociedades. A designer Fernanda confirma esse fato na prática e diz que os custos desses materiais renováveis ainda são muito caros no Brasil porque não há investimento do governo.
- Aqui no Brasil as tecnologias bem desenvolvidas ainda não estão disponíveis porque o mercado está fechado, a tributação é muito alta, e não há incentivos nessa área. Se o governo tornasse mais acessível a entrada dessas tecnologias, talvez muitas pessoas aderissem e assim começariam a realizar pequenos benefícios para a sociedade.”
- Aqui no Brasil as tecnologias bem desenvolvidas ainda não estão disponíveis porque o mercado está fechado, a tributação é muito alta, e não há incentivos nessa área. Se o governo tornasse mais acessível a entrada dessas tecnologias, talvez muitas pessoas aderissem e assim começariam a realizar pequenos benefícios para a sociedade.”
Para o Papa Francisco, isso não é um problema exclusivo do Brasil. Em todos os países, os governos ainda ficam reticentes quanto a investimentos que protejam o meio ambiente. “Os resultados requerem muito tempo e comportam custos imediatos com efeitos que não poderão ser exibidos no período de vida dum governo. Por isso, sem a pressão da população e das instituições, haverá sempre relutância a intervir, e mais ainda quando houver urgências a resolver.”
A quantidade de energia armazenada se um sistema de aquecimento solar estivesse disponível em um Rio de Janeiro que quase sempre beira aos 40 graus poderia fazer as contas de luz caírem expressivamente. Fernanda afirma que, apesar de ser uma tecnologia cara, o benefício se dará em longo prazo porque vai se economizar muito mais.
Quando o tema foi proposto, ficou claro que seria um desafio. Além de atual, abrange diversos contrapontos e hipocrisias da sociedade mundial. Não só de pessoas como de países. Uma preocupação que seria, como já diria o Papa, da nossa casa comum, virou apenas a preocupação de alguns. Só que não adianta o x fazer a parte dele se o y não fizer. No fim, os dois serão prejudicados da mesma forma. Por isso, apesar de ser um tema muito abordado acredito que a importância dada ainda seja insuficiente perto das consequências.
ResponderExcluirApesar de já sentir na pele algumas delas, os líderes mundiais pouco se movem para modificar a realidade. Em um contexto que a temperatura aumenta cinco graus em menos de 10 anos, o quadro torna-se alarmante. Entretanto, as medidas tomadas são de pouca eficácia.
Por isso, essa conscientização cada vez mais cedo seja trabalhando isso em universidades, escolas ou mesmo dentro de casa, é necessária para mudar esse cenário mundial.