quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Questões podem influenciar reunião da ONU



Segunda carta de Francisco pede que população ajude o planeta
Davi Barros




            A reflexão gerada em torno da Encíclica Laudato Si', lançada pelo Papa Francisco em 24 de junho deste ano, tem sido intensa. O representante do Vaticano chama a sociedade para a resolução dos problemas ambientais, tão debatido, quase nunca acordado e raramente respeitado. Segundo o ator Marcos Palmeira, o texto do Papa traz muitas esperanças para aqueles que sonham com um planeta mais sustentável, livre das grandes indústrias poluidoras e com uma população que consiga ser respeitosa com o meio ambiente.

            No que depender dos mais jovens, não haverá problema algum em se alcançar os objetos pedidos por Francisco. A estudante de psicologia Juliana Henriques, de 20 anos, diz acreditar que a população mundial vem de gerações dos que eram jovens há 30 anos. Para ela, é dever de todos garantir que outras pessoas tenham o mesmo acesso à natureza e meio ambiente hoje em dia.

            Por outro lado, ainda há pessoas mais conservadoras e que não se importam com o futuro. É o caso do empresário Cassio de Oliveira, 48 anos. Sócio de uma empresa de consultoria jurídica que faz campanha ambiental somente para pagar menos impostos, Cassio afirma que não existe efeito estufa. “Se a natureza já superou diversos desastres, como não vai conseguir passar por um aumento de 2ºC? Se é que isso existe mesmo”, questionou.

As últimas esperanças

     Entre os dias 30 de novembro e 11 de dezembro vai ser realizada a 21ª Conferência do Clima, em Paris. Espera-se que o encontro ache uma forma de todos os países chegarem a um acordo sobre as mudanças climáticas. A principal meta da Convenção da ONU é conseguir reduzir a emissão dos gases que provocam o efeito estufa. Juntamente a isso, estabelecer um limite de crescimento da temperatura do planeta em 2ºC.

            De acordo com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, o Brasil tem a intenção de garantir um acordo entre os países para aplacar o aquecimento global. O pacto deve substituir o Protocolo de Kyoto que expirava em 2012 e chegou a ser prorrogado na 18ª Conferência do Clima, em Doha, no Catar.

            Laudato Sí também foi publicada com a intenção de influenciar os líderes mundiais que vão se reunir em Paris. Na carta, o Papa Francisco faz um apelo não só aos chefes de estado, mas a todos que vivem na Terra. “O urgente desafio de proteger a nossa casa comum inclui a preocupação de unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral, pois sabemos que as coisas podem mudar. A humanidade possui ainda a capacidade de colaborar na construção da nossa casa comum. Desejo agradecer, encorajar e manifestar apreço a quantos, nos mais variados setores da atividade humana, trabalham para garantir a proteção da casa que partilhamos.”

“Eu acho que é
nosso dever de
cidadão fazer com
que filhos, netos
e outras gerações
possam ter o mesmo
e, de preferência,
até melhor do que
temos atualmente”

Juliana Henriques
Estudante da PUC


Papa e Marcos Palmeiras dialogam

Os agrotóxicos utilizados em grande parte das plantações estão afetando a saúde dos consumidores. Além do risco de atrapalhar o desenvolvimento de bebês em mulheres gestantes, ampliar a chance câncer em quem manuseia os objetos e contaminar o solo, os agrotóxicos também extinguem os animais que se alimentam daquelas plantas.

Na carta encíclica do Papa Francisco Laudato Si' o santo-padre afirmou que por vezes ocorre um fato que está acabando com qualquer elemento do meio ambiente pode-se causar uma tragédia colossal. “Normalmente cria-se um círculo vicioso, no qual a intervenção humana, para resolver uma dificuldade, muitas vezes ainda agrava mais a situação. Por exemplo, muitos pássaros e insetos, que desaparecem por causa dos agrotóxicos criados pela tecnologia, são úteis para a própria agricultura, e o seu desaparecimento deverá ser compensado por outra intervenção tecnológica que possivelmente trará novos efeitos nocivos.”

Os produtos orgânicos têm crescido demasiadamente nos últimos anos e se mostrado uma excelente fonte de renda para os fabricantes desses alimentos. Tanto que empresas grandes como Unilever, Coca-Cola e Danone passaram a ter seus produtos baseados nesse tipo de fabricação. Porém, os alimentos orgânicos são alvos de críticas, já que vão de encontro ao poderoso mercado de agrotóxicos e roubam uma parte dos consumidores.

Segundo o ator e dono da fazenda e marca Vale das Palmeiras, Marcos Palmeira, as críticas que atingem os produtos orgânicos (como a ocupação extensiva e a produtividade baixa) são oriundas de mentiras dos produtores de agrotóxicos e insumos químicos. “Era o discurso da revolução verde, que sem agrotóxico e adubo químico não conseguiríamos alimentar o mundo. Pois bem, o mundo continua com fome e cada vez mais doente”, disse.

Um comentário:

  1. O discurso verde dos produtores de agrotóxicos perderam o sentindo. O mundo continua passando fome e não é por falta de alimentos. Ainda vemos um problema cultural onde a produção continua sendo perdida no caminho entre lavouras e pontos de vendas e também há o desperdício dos consumidores que jogam toneladas de comida fora depois de prontas.
    Outro ponto interessante é o crescimento do uso de produtos orgânicos, mas ainda é preciso ter muita atenção porque muitos comerciantes usam a palavra orgânico para cobrar mais caro ou simplesmente por estar na moda.

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