Segunda carta de Francisco pede que população ajude o planeta
A reflexão gerada em torno da
Encíclica Laudato Si', lançada pelo
Papa Francisco em 24 de junho deste ano, tem sido intensa. O representante do
Vaticano chama a sociedade para a resolução dos problemas ambientais, tão
debatido, quase nunca acordado e raramente respeitado. Segundo o ator Marcos
Palmeira, o texto do Papa traz muitas esperanças para aqueles que sonham com um
planeta mais sustentável, livre das grandes indústrias poluidoras e com uma
população que consiga ser respeitosa com o meio ambiente.
No que depender dos mais jovens, não
haverá problema algum em se alcançar os objetos pedidos por Francisco. A
estudante de psicologia Juliana Henriques, de 20 anos, diz acreditar que a
população mundial vem de gerações dos que eram jovens há 30 anos. Para
ela, é dever de todos garantir que outras pessoas tenham o mesmo acesso à
natureza e meio ambiente hoje em dia.
Por outro lado, ainda há pessoas
mais conservadoras e que não se importam com o futuro. É o caso do empresário
Cassio de Oliveira, 48 anos. Sócio de uma empresa de consultoria jurídica que
faz campanha ambiental somente para pagar menos impostos, Cassio afirma que não
existe efeito estufa. “Se a natureza já superou diversos desastres, como não
vai conseguir passar por um aumento de 2ºC? Se é que isso existe mesmo”,
questionou.
As últimas esperanças
Entre
os dias 30 de novembro e 11 de dezembro vai ser realizada a 21ª Conferência do
Clima, em Paris. Espera-se que o encontro ache uma forma de todos os países
chegarem a um acordo sobre as mudanças climáticas. A principal meta da
Convenção da ONU é conseguir reduzir a emissão dos gases que provocam o efeito
estufa. Juntamente a isso, estabelecer um limite de crescimento da
temperatura do planeta em 2ºC.
De acordo com a ministra do Meio
Ambiente, Izabella Teixeira, o Brasil tem a intenção de garantir um acordo
entre os países para aplacar o aquecimento global. O pacto deve substituir o
Protocolo de Kyoto que expirava em 2012 e chegou a ser prorrogado na 18ª
Conferência do Clima, em Doha, no Catar.
Laudato
Sí também foi publicada com a intenção de influenciar os líderes mundiais
que vão se reunir em Paris. Na carta, o Papa Francisco faz um apelo não só aos chefes
de estado, mas a todos que vivem na Terra. “O urgente desafio de proteger a
nossa casa comum inclui a preocupação de unir toda a família humana na busca de
um desenvolvimento sustentável e integral, pois sabemos que as coisas podem
mudar. A humanidade possui ainda a capacidade de colaborar na construção da
nossa casa comum. Desejo agradecer, encorajar e manifestar apreço a quantos,
nos mais variados setores da atividade humana, trabalham para garantir a
proteção da casa que partilhamos.”
“Eu
acho que é
nosso dever de
cidadão fazer com
que filhos, netos
e outras gerações
possam ter o mesmo
e, de preferência,
até melhor do que
temos atualmente”
nosso dever de
cidadão fazer com
que filhos, netos
e outras gerações
possam ter o mesmo
e, de preferência,
até melhor do que
temos atualmente”
Juliana Henriques
Estudante da PUC
Estudante da PUC
Papa e Marcos Palmeiras dialogam
Os
agrotóxicos utilizados em grande parte das plantações estão afetando a saúde
dos consumidores. Além do risco de atrapalhar o desenvolvimento de bebês em
mulheres gestantes, ampliar a chance câncer em quem manuseia os objetos e
contaminar o solo, os agrotóxicos também extinguem os animais que se alimentam
daquelas plantas.
Na
carta encíclica do Papa Francisco Laudato
Si' o santo-padre afirmou que por vezes ocorre um fato que está acabando
com qualquer elemento do meio ambiente pode-se causar uma tragédia colossal.
“Normalmente cria-se um círculo vicioso, no qual a intervenção humana, para
resolver uma dificuldade, muitas vezes ainda agrava mais a situação. Por
exemplo, muitos pássaros e insetos, que desaparecem por causa dos agrotóxicos
criados pela tecnologia, são úteis para a própria agricultura, e o seu
desaparecimento deverá ser compensado por outra intervenção tecnológica que
possivelmente trará novos efeitos nocivos.”
Os
produtos orgânicos têm crescido demasiadamente nos últimos anos e se mostrado
uma excelente fonte de renda para os fabricantes desses alimentos. Tanto que
empresas grandes como Unilever, Coca-Cola e Danone passaram a ter seus produtos
baseados nesse tipo de fabricação. Porém, os alimentos orgânicos são alvos de
críticas, já que vão de encontro ao poderoso mercado de agrotóxicos e roubam
uma parte dos consumidores.
Segundo
o ator e dono da fazenda e marca Vale das Palmeiras, Marcos Palmeira, as
críticas que atingem os produtos orgânicos (como a ocupação extensiva e a
produtividade baixa) são oriundas de mentiras dos produtores de agrotóxicos e
insumos químicos. “Era o discurso da revolução verde, que sem agrotóxico e
adubo químico não conseguiríamos alimentar o mundo. Pois bem, o mundo continua
com fome e cada vez mais doente”, disse.
O discurso verde dos produtores de agrotóxicos perderam o sentindo. O mundo continua passando fome e não é por falta de alimentos. Ainda vemos um problema cultural onde a produção continua sendo perdida no caminho entre lavouras e pontos de vendas e também há o desperdício dos consumidores que jogam toneladas de comida fora depois de prontas.
ResponderExcluirOutro ponto interessante é o crescimento do uso de produtos orgânicos, mas ainda é preciso ter muita atenção porque muitos comerciantes usam a palavra orgânico para cobrar mais caro ou simplesmente por estar na moda.