Conexão entre a Terra e o ser humano é a prioridade
Parte de um mesmo todo. É com essa visão que
a população deve seguir para conseguir recuperar o que retirou da Terra. Relembrar que o ser humano e a natureza estão
conectados é a prioridade. Logo, degradar o meio ambiente é o mesmo que agredir
o homem. A destruição é uma realidade e, por isso, o futuro climático é cada
vez mais a pauta de conferências mundiais. Até 2050, as temperaturas devem
subir até 4 graus Celsius, enquanto o ideal seria elevar apenas 2 graus Celsius
em cem anos. Ao pensar nisso, o Papa Francisco escreveu o Laudato Si', um apelo destinado a todos os habitantes da nossa Casa
comum, para tentar salvá-la.
Mesmo com pesquisas comprovando a gravidade
do assunto, ainda há pessoas que não acreditam que pequenos atos podem fazer
diferença em escala global. O advogado Otávio Estevão, de 25 anos, mora ao lado
do trabalho e afirma que a atitude de ir andando ou até de bicicleta para
diminuir a poluição, não vai contribuir tanto quanto pensam. “Essa onda verde é
moda. Não adianta continuar poluindo com criação de gado e vir me pedir para
trocar meu meio de transporte. Isso é papo furado.”, assegurou.
Entretanto, a engenheira ambiental Gabriella
Leal afirma que são nas mínimas atitudes que começam grandes mudanças. De
acordo com a engenheira, economizar nas sacolas plásticas do mercado, por
exemplo, pode trazer significativo impacto positivo para o meio ambiente. “Quando não descartadas corretamente causam o
entupimento de bueiros que, aliado à chuva, é uma das causas das constantes
enchentes. Além disso, o volume que essas embalagens ocupam provoca o esgotamento
do espaço dos aterros e a ingestão desse lixo por animais nas reservas
biológicas.”, reiterou.
A reação mundial
Com
esse cenário preocupante, a Conferência Climática de Paris traz uma promessa de
mudança. Entre os dias 30 de novembro e 11 de dezembro deste ano, são esperados
95 nações para discutir os rumos climáticos do planeta. O objetivo do encontro
é firmar um pacto, através da Organização das Nações Unidas, que combata as
transformações mundiais. Essa será a cúpula com maior presença de participantes
oficiais desde Copenhague, em 2009.
O
documento final deve determinar todos os esforços para contenção de emissão dos
gases de feito estufa, além do alarmante aumento no nível dos mares.
Entretanto, a previsão para que essas medidas se concretizem é a partir de
2020. O objetivo da ONU é, ainda, limitar, para um futuro próximo, a elevação
do aquecimento global em até 2ºC. Esse nível só era possível antes da
existência da indústria no planeta. Essa é uma das principais preocupações
entre os temas porque, de acordo com cientistas, se o crescimento continuar o
clima terrestre pode entrar em colapso.
Esse acordo, a partir de 2020, deve substituir o atual Protocolo de Kyoto.
Entre os pontos pactuados à nível nacional, está a revisão dos compromissos de
redução de emissões a cada cinco anos de países como a Alemanha.
O
Brasil representa mais de 50% da redução global de emissões de Carbono, segundo
estimativas da ONU. Entre 2001 e 2015, esse índice caiu em 25% por causa do desmatamento,
passando de 3,9 para 2,9 gigatoneladas por ano.
Sociedade
e ambiente doentes
Se
para os seres humanos a doença do século é o câncer, para a Terra, nossa casa
comum, é o consumismo. Esse mal que toma conta de uma sociedade capitalista e doente,
já ultrapassou os cem anos. Apontado como um dos principais problemas para o
meio ambiente, o consumo desenfreado de produtos acarreta consequências
irremediáveis para o mundo. Os recursos naturais, utilizados como
matéria-prima, são finitos e não acompanham o ritmo imposto pelo modelo
econômico atual.
Essa
questão está intimidade ligada à cultura vigente do descarte na população
mundial. O papel, por exemplo, um dos produtos mais consumidos e que pode ser
reciclado, não é, na maioria das vezes, reaproveitado. E se as plantas
conseguem, por si só, se organizar para se manter em equilíbrio, o homem segue
o exemplo do que não fazer. Na Encíclica Laudato
Si', o Papa Francisco afirmou que as indústrias não desenvolveram a
capacidade de reabsorver os resíduos. “Custa-nos a reconhecer que o funcionamento dos ecossistemas naturais é
exemplar: as plantas sintetizam substâncias nutritivas que alimentam os
herbívoros; estes, por sua vez, alimentam os carnívoros que fornecem
significativas quantidades de resíduos orgânicos, que dão origem a uma nova
geração de vegetais. Ao contrário, o sistema industrial, no final do ciclo de
produção e consumo, não desenvolveu a capacidade de absorver e reutilizar
resíduos e escórias”,
afirmou.
“Essa onda verde
é moda.
Não adianta
continuar poluindo
com criação
de gado e vir
me pedir para
trocar meu meio
de transporte"
Otávio Bruno
Advogado do Azevedo Sette
Na contramão desse universo do consumo, algumas técnicas são
adotadas pela sociedade como forma de equilibrar a existência do homem e da
natureza. Um exemplo é a permacultura, que engloba métodos holísticos para
planejar, atualizar e manter sistemas humanos ambientalmente sustentáveis e
social e financeiramente justos. Segundo a engenheira ambiental Gabriella Leal,
esse viés ambiental está relacionado à questão da sustentabilidade e garante moradia e alimentação em
constante contato com o meio ambiente. Ainda de acordo com a engenheira, esse
seria o modelo ideal para uma relação harmoniosa e duradoura com a nossa casa
comum.
Eu acho muito bonito essa conexão do ser humano com o planeta em si. Acho que se as pessoas nutrissem esse sentimento de pertencimento, de conectividade com a Terra, seria muito mais fácil falar de preservação ambiental. Percebo que o planeta, desde a década de 60 com o boom das economias globais, adota uma portura muito destrutiva. Com a política neoliberal dos anos 90 sinto que isso se agravou ainda mais. A partir dos anos 2000 (e aí incluo a nossa geração) as pessoas começaram a pensar num nível de consumo sustentável. Estamos percebendo, aos poucos, que é preciso mudar, já que o planeta não vai se sustentar - e nos sustentar! - por muito tempo. Só fico preocupada com a velocidade com que as coisas são feitas. Agora mesmo, a quilômetros de distância, enquanto escrevo esse comentário, áreas inteiras da Amazônia foram desmatadas. Isso sem falar da quantidade de animais que morreram nesses últimos 10 minutos. Isso dá um apertão no peito. :( Coloco minha voz, minhas preces e pensamentos para que esse massacre acabe. E, eventualmente, a pressão que posso exercer como cidadã. Um beijo Agatha :*
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