terça-feira, 6 de outubro de 2015

Papa Francisco pede cooperação à sustentabilidade


Texto mescla argumentos religiosos e científicos 

                                                                                       Ericka Kellner




A encíclia do Laudato Sí escrita pelo Papa Francisco e publicada em junho deste ano reforça a importância de atenção ao meio ambiente e alerta para o risco de deterioração não só ambiental, como também humana, que podemos enfrentar caso não sejam feitos esforços para reverter a situação. O documento é uma carta pontifícia redigida pelo Papa que posiciona a Igreja Católica em relação a determinado tema.

 Segundo a análise da diretora do departamento de filosofia da PUC-Rio, Déborah Danowski, a crítica à noção de que a única forma de a humanidade progredir é por meio do capitalismo industrial acelerado é um dos maiores méritos do texto. A filósofa listou quatro pontos relevantes na encíclica: a junção entre a preocupação com a Terra e a preocupação com a desigualdade social; a criação de um discurso voltado para crentes e não crentes; a importância de escutar populações locais e a ênfase ao princípio de precaução, reconhecendo os avanços científicos, mas indagando a absolutização do paradigma tecnoeconômico.

Mas para o geógrafo Caio Siqueira ainda não é possível afirmar que a ação humana interfere sobre o aquecimento global, já que pesquisas e dentro da geologia e da climatologia comprovam que dentro do tempo geológico que a terra existe a temperatura global mudou diversas vezes. Já a estudante de arquitetura Hannah Silva acredita no impacto do homem sobre a natureza e procura diminuir ao máximo esse efeito negativo com ações que vão desde a alimentação, que não inclui carnes, até pequenas tarefas do dia a dia, como utilizar bolsas retornáveis em vez de sacolas plásticas.

Encíclica e COP 21

         O principal apelo na encíclica do Papa Francisco é o reconhecimento da ameaça que estamos oferecendo ao planeta e a posterior tomada de atitudes que contribuam para amenizar a crise citada. No capítulo um ele reconhece que mudança é inerente ao sistema social, mas que “a velocidade que hoje impõe as ações humanas contrasta com a lentidão natural da evolução biológica”. Quanto à questão da água, Francisco sinalizou sobre a tendência à privatização do recurso e as consequências de tal ato aos menos favorecidos. Ele reafirmou que o acesso à água potável é “um direito humano essencial, fundamental e universal” e que negar a água é negar o direito à vida.

         O que se espera é que a encíclica possa influenciar a próxima Conferência do Clima de 2015 (COP 21), que será realizada em dezembro, em Paris. A conferência reunirá os 196 países integrantes da ONU com o objetivo de gerar acordos que diminuam a emissão de gases poluentes para frear o aumento da temperatura em 2°C até 2100. A programação do encontro já inclui a voz dos segmentos sociais: no dia 12 de dezembro está marcada “a última palavra”, uma grande marcha final da sociedade civil em Paris que pretende demonstrar a vontade social de propor soluções para o problema.

 “Na sociedade em que
vivemos não vemos
muitas possibilidades
de manter um 
desenvolvimento
sustentável sem 
cortar os níveis 
de produção e 
de consumo”


Geógrafo fala sobre questão ecológica

     O geógrafo Caio Siqueira opinou, de forma moderada, sobre o aquecimento global, enfatizando que, até agora, só podemos comprovar a interferência do homem sobre os microclimas. Porém, ressaltou a necessidade de diminuir o consumo para minimizar as desigualdades socioeconômicas existentes.

Repórter: Na sua percepção, é possível compatibilizar o respeito à natureza com o nosso atual sistema econômico? Socialmente falando, quais são os mais afetados pela agressão ambiental?
Caio Siqueira: Na sociedade em que vivemos, uma sociedade do consumo, não vemos muitas possibilidades de manter um desenvolvimento sustentável sem cortar os níveis de produção e de consumo. A sociedade capitalista sempre desenvolveu a desigualdade entre as pessoas e povos. A globalização é um processo desse desenvolvimento desigual entres os diferentes tipos de sociedade e de países. Os avanços da tecnologia, por exemplo, não são homogêneos no mundo. Vemos uma grande desigualdade gerada a partir da globalização, pois essa desigualdade é necessária para a proliferação dessa forma de sociedade. Portanto, não existe uma forma de manter esse modelo de desenvolvimento para acabar com a desigualdade entre os países e pessoas. A única forma seria conscientizando e educando as pessoas para diminuírem o consumo.

Repórter: Qual é a sua opinião sobre os céticos que criticam os ambientalistas e defendem que o aquecimento global é um fenômeno natural?
Siqueira: A minha posição em relação ao aquecimento global é que é, sim, um fenômeno natural. Existem pesquisas e dentro da geologia e da climatologia, que comprovam que dentro do tempo geológico que a terra existe, a temperatura global da terra mudou diversas vezes. Em momentos de resfriamento e de aquecimento. A influência humana nesse tempo geológico é muito pequena, mais ou menos dois mil anos, sendo que as grandes atividades de exploração da natureza só começaram há 200 anos com as revoluções industriais. É claro que a influência do homem no planeta transforma o espaço também. Porém não podemos afirmar que esse aquecimento é ocasionado pela ação humana. Dentro da geografia, a ação humana interfere extremamente nos microclimas. Portanto, minha visão é de que ainda não podemos provar uma influencia humana no aquecimento global, mas podemos afirmar que elas agem sobre os microclimas.

Repórter: Se pudesse dar apenas uma sugestão para os interessados em colaborar para um desenvolvimento sustentável, qual seria ela?

Siqueira: No cenário em que vivemos, a forma mais prática é aumentar a reciclagem e diminuir os desperdícios.

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