Poluição, trânsito,
crescimento urbano desordenado, falta de água e desmatamentos. As questões
ambientais nunca estiveram tão em alta. Esses reflexos da atual situação do clima
mundial que antes pareciam distantes estão muito presentes na vida do
brasileiro. No Estado do Rio de Janeiro, a população já sente os reflexos
dessas alterações climáticas. Além desses problemas ambientais, o carioca
também convive com diversos dificuldades geradas pelo planejamento urbano de
pouca qualidade.
Atualmente um dos
principais problemas que o Rio de Janeiro enfrenta é a falta de saneamento
básico. A infraestrutura precária das
redes de esgoto contribui para uma série de problemas graves que os cariocas
vivenciam em seu dia a dia. O engenheiro urbano ambiental Pedro Rattes afirma
que a atual situação de saneamento do estado é alarmante. “A rede de
saneamento básico é insuficiente, menos de 40% da população tem seu esgoto
ligado à Cedae e boa parte desse esgoto não recebe qualquer tratamento antes de
ser lançado no destino final”, afirma ele. O engenheiro conta que essa questão
é a base para se desenvolver politicas ambientais mais objetivas. Para ele sem
saneamento básico, a população sempre vai estar exposta aos problemas de um
grande centro urbano. Como já diz no nome, o saneamento é básico, depois o que
vem são melhorias que devem e podem ser implementadas pelos governos para
melhorar a qualidade de vida dos cidadãos.
Na área
de transporte, a situação também é bastante alarmante. Os transportes públicos
não conseguem atender a população de maneira satisfatória. Nesse contexto,
faltam meios de transporte alternativos de qualidade que compensem essa demanda
que não é atendida corretamente. De acordo com o engenheiro Pedro Rattes, a
falta de transportes públicos contribui para um aumento no numero de carros,
agravando ainda mais o trânsito “O transporte público carioca é precário, o cidadão que tem a
oportunidade acaba escolhendo o automóvel particular, contribuindo para as
emissões, e demandando enormes áreas do
território urbano para transitarem e estacionarem” declara. Esse atual cenário
caminha para um aumento do trânsito que é um dos maiores problemas dos centros
urbanos. Para ele, a construção e ampliação de estradas, ruas e rodovias é
extremamente importante para um melhor funcionamento urbano, porém a base para
um melhora mais objetiva está no desenvolvimento de outra medida. “O mais
fundamental e importante nesse contexto é a melhoria no transporte público.
Nesse complexo sistema de mobilidade urbana, o transporte público é o centro
que interliga todos os outros pontos. Com esse ponto central funcionando de
maneira ativa e inteligente, todo o sistema entra em harmonia” garante o engenheiro.
“Nesse complexo sistema
de mobilidade
urbana,
o transporte público
é o centro.
Com esse ponto central
funcionando
de maneira
ativa e inteligente,
todo o sistema entra
em harmonia”
Pedro
Rattes
Engenheiro
Urbano Ambiental
No cenário de medidas e ações para um desenvolvimento
sustentável dos grandes centros urbanos, o Brasil está na vanguarda. Esbarrando
em questões politicas e uma má distribuição de renda, o nosso país ainda
precisa desenvolver e aprimorar sua legislação de desenvolvimento urbanístico. “O
Estatuto da cidade põe o Brasil na vanguarda da legislação urbanística, no
entanto seus prazos não estão sendo cumpridos e por se tratar de diretrizes e
não parâmetros, sua completude fica dependente de leis complementares que pelo
conflito de interesses políticos acabam não sendo aprovadas” explica o
engenheiro Pedro Rattes.
A Encíclica Papal: uma voz de esperança
Nesse contexto de sustentabilidade urbana, não podemos
deixar de citar o impacto da Encíclica do Papa Francisco. Publicada em 18 de
junho desse ano, “A Encíclica Verde” como ficou conhecida é uma forte critica
aos atuais sistemas de desenvolvimento adotados pelas principais potências do
mundo. O pontífice levantou diversas questões ambientais e reascendeu o tema
sobre o clima e a poluição no mundo. Essa realidade retratada pela Papa, está
presente no nosso dia a dia de maneira bastante efetiva. Os reflexos dos
avanços desordenados impulsionados pela ganância das grandes empresas já é um
problema que reflete diretamente na vida dos brasileiros.
"A Encíclica do Papa
é um marco na luta por melhorias ambientais. A força da figura do pontífice
garante uma maior voz dessas questões no cenário mundial. Mas não apenas no
cenário mundial, essa voz também ecoa no dia a dia da população brasileira que
convive com todos os problemas que o Papa retrata em sua encíclica” avalia o
engenheiro Pedro Rattes.
Para o Papa, o homem é principal culpado pela atual
situação do planeta. O consumismo, a sede por desenvolvimento e o desejo de poder levou a humanidade a seguir um
caminho que vai contra o desenvolvimento
sustentável. Nesse sentido ele condena
a cultura do desperdício e pede uma maior conscientização da população em
relação a isso. Porém, o Papa reforça que o ser humano ainda é capaz de se unir
e lutar para reverter a atual situação do planeta. Em outro ponto marcante da
Encíclica, o pontífice denuncia a submissão da política à tecnologia e às
finanças como a causa do fracasso das principais reuniões mundiais para conter
o aquecimento global. Mais uma vez, ele reforça a importância de se ter políticas
mais fortes em relação ao poder das empresas e também mais atitude e ação por
parte dos países mais desenvolvidos.
Um desenvolvimento
ecológico com um olhar social também é bastante defendido pelo pontífice. Ele
ressalta que os países mais pobres e menos desenvolvimentos possuem menos
oportunidades de adotar medidas para evitar o impacto do aquecimento global.
Por isso ele reforça que as políticas de desenvolvimento sustentáveis são muito
amplas e exigem diversas responsabilidades, principalmente com os países mais
pobres.
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