terça-feira, 6 de outubro de 2015

Caminhos para um Desenvolvimento Urbano Sustentável


Cenário carioca de desenvolvimento ainda é precário              


Clara Costa Santos  


    


     Poluição, trânsito, crescimento urbano desordenado, falta de água e desmatamentos. As questões ambientais nunca estiveram tão em alta. Esses reflexos da atual situação do clima mundial que antes pareciam distantes estão muito presentes na vida do brasileiro. No Estado do Rio de Janeiro, a população já sente os reflexos dessas alterações climáticas. Além desses problemas ambientais, o carioca também convive com diversos dificuldades geradas pelo planejamento urbano de pouca qualidade.

     Atualmente um dos principais problemas que o Rio de Janeiro enfrenta é a falta de saneamento básico.  A infraestrutura precária das redes de esgoto contribui para uma série de problemas graves que os cariocas vivenciam em seu dia a dia. O engenheiro urbano ambiental Pedro Rattes afirma que a atual situação de saneamento do estado é alarmante.  “A rede de saneamento básico é insuficiente, menos de 40% da população tem seu esgoto ligado à Cedae e boa parte desse esgoto não recebe qualquer tratamento antes de ser lançado no destino final”, afirma ele. O engenheiro conta que essa questão é a base para se desenvolver politicas ambientais mais objetivas. Para ele sem saneamento básico, a população sempre vai estar exposta aos problemas de um grande centro urbano. Como já diz no nome, o saneamento é básico, depois o que vem são melhorias que devem e podem ser implementadas pelos governos para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos.

     Na área de transporte, a situação também é bastante alarmante. Os transportes públicos não conseguem atender a população de maneira satisfatória. Nesse contexto, faltam meios de transporte alternativos de qualidade que compensem essa demanda que não é atendida corretamente. De acordo com o engenheiro Pedro Rattes, a falta de transportes públicos contribui para um aumento no numero de carros, agravando ainda mais o trânsito “O transporte público carioca é precário, o cidadão que tem a oportunidade acaba escolhendo o automóvel particular, contribuindo para as emissões, e  demandando enormes áreas do território urbano para transitarem e estacionarem” declara. Esse atual cenário caminha para um aumento do trânsito que é um dos maiores problemas dos centros urbanos. Para ele, a construção e ampliação de estradas, ruas e rodovias é extremamente importante para um melhor funcionamento urbano, porém a base para um melhora mais objetiva está no desenvolvimento de outra medida. “O mais fundamental e importante nesse contexto é a melhoria no transporte público. Nesse complexo sistema de mobilidade urbana, o transporte público é o centro que interliga todos os outros pontos. Com esse ponto central funcionando de maneira ativa e inteligente, todo o sistema entra em harmonia” garante o engenheiro.



“Nesse complexo sistema 
de mobilidade urbana,
 o transporte público 
é o centro.
Com esse ponto central 
funcionando de maneira 
ativa e inteligente, 
todo o sistema entra 
em harmonia”
Pedro Rattes
Engenheiro Urbano Ambiental

     No cenário de medidas e ações para um desenvolvimento sustentável dos grandes centros urbanos, o Brasil está na vanguarda. Esbarrando em questões politicas e uma má distribuição de renda, o nosso país ainda precisa desenvolver e aprimorar sua legislação de desenvolvimento urbanístico. “O Estatuto da cidade põe o Brasil na vanguarda da legislação urbanística, no entanto seus prazos não estão sendo cumpridos e por se tratar de diretrizes e não parâmetros, sua completude fica dependente de leis complementares que pelo conflito de interesses políticos acabam não sendo aprovadas” explica o engenheiro Pedro Rattes.

A Encíclica Papal: uma voz de esperança
                       
     Nesse contexto de sustentabilidade urbana, não podemos deixar de citar o impacto da Encíclica do Papa Francisco. Publicada em 18 de junho desse ano, “A Encíclica Verde” como ficou conhecida é uma forte critica aos atuais sistemas de desenvolvimento adotados pelas principais potências do mundo. O pontífice levantou diversas questões ambientais e reascendeu o tema sobre o clima e a poluição no mundo. Essa realidade retratada pela Papa, está presente no nosso dia a dia de maneira bastante efetiva. Os reflexos dos avanços desordenados impulsionados pela ganância das grandes empresas já é um problema que reflete diretamente na vida dos brasileiros. 
     "A Encíclica do Papa é um marco na luta por melhorias ambientais. A força da figura do pontífice garante uma maior voz dessas questões no cenário mundial. Mas não apenas no cenário mundial, essa voz também ecoa no dia a dia da população brasileira que convive com todos os problemas que o Papa retrata em sua encíclica” avalia o engenheiro Pedro Rattes.

     Para o Papa, o homem é principal culpado pela atual situação do planeta. O consumismo, a sede por desenvolvimento e o  desejo de poder levou a humanidade a seguir um caminho que vai contra  o desenvolvimento sustentável.   Nesse sentido ele condena a cultura do desperdício e pede uma maior conscientização da população em relação a isso. Porém, o Papa reforça que o ser humano ainda é capaz de se unir e lutar para reverter a atual situação do planeta.                                                                                                                                                                                                                                                          Em outro ponto marcante da Encíclica, o pontífice denuncia a submissão da política à tecnologia e às finanças como a causa do fracasso das principais reuniões mundiais para conter o aquecimento global. Mais uma vez, ele reforça a importância de se ter políticas mais fortes em relação ao poder das empresas e também mais atitude e ação por parte dos países mais desenvolvidos.
Um desenvolvimento ecológico com um olhar social também é bastante defendido pelo pontífice. Ele ressalta que os países mais pobres e menos desenvolvimentos possuem menos oportunidades de adotar medidas para evitar o impacto do aquecimento global. Por isso ele reforça que as políticas de desenvolvimento sustentáveis são muito amplas e exigem diversas responsabilidades, principalmente com os países mais pobres.

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