Encíclica verde dá o norte para
a educação ambiental
A polêmica
lançada pela Laudato Si', escrita pelo Papa Francisco, não poderia vir em
um momento diferente. Apenas nesta década a população assistiu a verdadeiras
catástrofes no que diz respeito ao clima do planeta Terra. A Encíclica traz à
tona um problema que atinge a todos: o consumo desenfreado está destruindo os
recursos naturais. Apesar de pisar no calo da sociedade atual, Laudato Si' teve
uma boa aceitação no cenário internacional, provocando discussões a respeito do
tema.
O
jornalista Justin Gillis, do The New York Times, afirma que a Encíclica
“é uma advertência profética sobre o perigo de ignorar a crise ecológica”.
Segundo ele, o papa conseguiu conciliar dados científicos com a avaliações
sobre a configuração da sociedade atual, principalmente quando afirma que são
os mais pobres que carregam o peso da poluição. O Santo Padre avalia não só a questão
técnica que envolve a discussão ambiental. Ele proporciona uma reflexão humana,
que vai além das consequências óbvias sobre os efeitos que as atividades
agressivas à “casa comum” podem trazer. Ele salienta, ainda, a ligação entre
pobreza e fragilidade do planeta.
O Papa
Francisco faz duras críticas ao sistema econômico e a forma como os recursos do
planeta estão sendo rapidamente dizimados em favor do progresso. Conceito este
que, segundo o papa, deve ser redefinido em prol da natureza e não da população
que demanda cada vez mais aparatos tecnológicos.
- Ao
contrário, o sistema industrial, no final do ciclo de produção e consumo, não
desenvolveu a capacidade de absorver e reutilizar resíduos e escórias. Ainda
não se conseguiu adotar um modelo circular de produção que assegure recursos
para todos e para as gerações futuras – aponta o papa em trecho da carta.
Um
novo olhar
Mesmo sendo
uma questão que tem ganhado cada vez mais espaço, o assunto ainda é
desconsiderado por muitos. O jornalista Eduardo Pegurier, editor de O Eco, diz
que o site foi criado para suprir a falta de cobertura jornalística sobre o
meio ambiente. Na opinião dele, a falta de informação e punição por crimes
ambientais ainda é um dos grandes problemas a serem enfrentados. O incentivo do
governo para a fiscalização de florestas protegidas também é um empecilho para
o cumprimento da legislação ambiental.
- O Brasil
tem uma legislação muito boa no papel, mas que na prática recebe muito pouco
dinheiro do governo. Os órgãos que cuidam da áreas protegidas, no caso, o
Instituto Chico Mendes de Biodiversidade, que foi criado há alguns anos, recebe
um orçamento muito minguado. Então nem o governo prestigia os órgãos ambientais
que ele tem nem a legislação, que oi criada em um momento que o outro lado ou seja, as pessoas que são impactadas pela
legislação, que são os grandes empreendimentos, o agronegócio etc, talvez eles
não tivessem percebido o quanto iam ter que se adequar.
Segundo
Pegurier, as conferências internacionais que buscam acordos para regulamentar a
questão ambiental são importantes, pois dão visibilidade à causa, mesmo que não
cheguem a uma conclusão.
-
Elas geram discussão, dão um norte, criam certos acordos que, pelo menos os
países se comprometem a cumprir, mesmo que não cumpram.
“A gente está acostumado
a ter água sempre.
A demanda
está aumentando,
você tem cada vez mais
casas bem
equipadas, consumindo
mais água. Estamos demandando
cada vez mais esses
recursos
esperando que todo ano chova,
só que não é assim”
Eduardo Pegurier
Jornalista
O surgimento de iniciativas que
buscam diminuir o desperdício e aumentar o consumo consciente mostram que é
possível diminuir a produção de lixo. Para reduzir os danos, algumas atitudes
simples podem fazer a diferença. Há diversos movimentos que vão ao encontro
dessa ideia, como o Free Your Stuff e o Simply & Co, que
ajudam os participantes a encontrarem estabelecimentos que vendem produtos a
granel com embalagens retornáveis.
Há três anos Bernardo Feitosa,
publicitário, mudou o estilo de vida: parou de comer carne vermelha e alimentos
de origem animal e consome somente produtos orgânicos, entre outras medidas.
Ele acredita que a mudança de comportamento é essencial.
- É inaceitável ver a quantidade de
alimentos descartados simplesmente porque eles não estão bonitos para a vista
do consumidor. O mesmo acontece com o vegetarianismo, que vem crescendo ano
após ano, não só no Brasil, como no mundo. Se pensarmos que a população mundial
cresce em larga escala, não é difícil imaginar que uma hora os recursos acabam
e medidas como essas vão ser questões não de capricho, mas de sobrevivência.
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