Consumo exagerado é a maior causa
da degradação do meio ambiente
A
carta Encíclica escrita pelo Papa Francisco, lançada no dia 18 de junho de
2015, aborda sobre as principais questões relacionadas ao meio ambiente e a
forma como as ações do ser humano vêm o afetando de forma negativa. O biólogo
Jefferson Pereira, sócio-diretor da Ares Consultoria, empresa que visa atender
o planeta às crescentes demandas do mercado relacionadas à natureza e à
sustentabilidade, aliando gestão ecológica e geoprocessamento acredita, assim
como afirma na Encíclica, que o meio ambiente é a casa comum de todos os seres.
Para o biólogo, o consumismo exagerado e desnecessário que visa somente ao
lucro e à satisfação dos desejos, é o maior responsável pelos problemas
causados à ecologia. Ele afirma que o modelo de produção no qual vivemos em
sociedade busca os interesses financeiro e pessoal, sem se preocupar com as
consequências que isto causa na natureza.
A professora de
ioga Juliana Dominguez, de 32 anos, se preocupa com os pontos citados por
Jefferson. Para ela, o futuro ecológico é uma preocupação, uma vez que vivemos
em meio a um caos urbano que polui cada vez mais a cidade. A
rotina saudável dando aulas de ioga – prática meditativa que procura equilibrar
o corpo e a mente -, também ajudou Juliana a ter uma postura mais consciente em
relação ao que diz respeito ao cuidado com a natureza, reciclagem do lixo e
redução do consumo de energia elétrica e de água potável. Para ela, as crianças
serão os responsáveis pelo consumo consciente ou não de tudo o que causa danos
ao ar que respiramos, a água que bebemos e aos gases poluentes cada vez mais
frequentes na atmosfera.
A Encíclica
levanta questões citadas pelo biólogo e pela professora de ioga em relação aos
gastos desenfreados que procura somente saciar a necessidade de obter bens de
consumo, enquanto isto destrói cada vez mais a casa comum de todos. “A Carta da Terra convida-nos, a todos, a
começar de novo deixando para trás uma etapa de autodestruição, mas ainda não
desenvolvemos uma consciência universal que o torne possível” (pag. 158).
“Quando somos capazes de superar o individualismo, pode-se realmente
desenvolver um estilo de vida alternativo e torna-se possível uma mudança
relevante na sociedade”.
A Conferência do Clima, em Paris,
evento que visa modificar o cenário das ações práticas relacionadas ao clima no
mundo, irá acontecer entre os dias 30 de novembro e 11 de dezembro deste ano. A expectativa é a de reunir cerca de cinco
mil pessoas. O encontro tem como objetivo estabelecer um pacto, por meio da
ONU, para combater as transformações preocupantes que vêm ocorrendo com o clima
mundial. Tendo o aval da Convenção-quadro das Nações Unidas sobre Mudanças
Climáticas (UNFCCC), esta promete ser a cúpula climática com maior presença de
participações oficiais, depois de Copenhague, em 2009. Os efeitos das decisões
da conferência têm previsão de ocorrerem a partir de 2020. O acordo irá
determinar as atitudes necessárias para conter as emissões de gases do efeito
estufa que vêm trazendo graves consequências ao meio ambiente, como e
desequilíbrio ambiental que gera secas, aumento do nível do mar, tempestades e
enchentes.
“O principal problema é o nosso meio de
produção que visa apenas à maximização dos lucros. Acabamos por consumir muito
mais recursos naturais e humanos e sem a devida preocupação com a questão
ambiental.”
Jefferson
Pereira, biólogo
Meio ambiente enfrenta problemas provocados
pelas ações do homem
Roberta
Guido é professora de Ciências e Biologia na Universidade Estadual do Rio de
Janeiro (UERJ). Para ela, as ações do homem causam fortes impactos ao meio
ambiente e, por consequência, afetam a vida da sociedade.
A professora acredita
que, apesar da situação atual, a água do Rio de Janeiro não vai acabar, pois, segundo ela, se o governo perceber
seu esgotamento irá reduzir a demanda de água para o entorno de algumas
empresas. Para Roberta, no entanto, o consumismo acelerado das grandes empresas
e até de cada cidadão individualmente é exercido de forma exagerada e
desnecessária, explorando os recursos naturais e causando o desequilíbrio
ambiental. Roberta acredita que uma das soluções mais eficazes para combater os
problemas gerados pelo homem seria haver multa pelo impacto ambiental já
existente. Ela afirma, porém, que, infelizmente, o valor financeiro não faz
diferença para as indústrias, uma vez que é uma quantia baixa se comparada ao
faturamento que as grandes empresas geram.
A bióloga lembra, no entanto, que a extinção das espécies é
um fator natural para a evolução do planeta, mas o homem está acelerando este
processo com o desmatamento e o desejo de consumo desenfreado. Desta forma, os
animais ficam sem abrigo, o que os obriga a procurar outros lugares como
refúgio, onde eles acabam morrendo ou transmitindo doenças para a população
urbana, como é o caso de alguns invertebrados.
A reciclagem do lixo é outro fator importante na conscientização
que as pessoas precisam ter sobre o cuidado com o meio ambiente, segundo a
bióloga. De acordo com ela, uma das maiores importâncias em relação a isto é
aliviar os lixões e aterros sanitários, fazendo com que chegue até eles apenas
os resíduos que não podem ser reaproveitados ou reciclados. Desta forma, os
objetos são aproveitados ao máximo, sendo utilizados para confecção de novos
produtos e evitando o desperdício desnecessário gerado pelo consumismo.
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