quinta-feira, 1 de outubro de 2015

A natureza pede socorro




                                      
Consumo exagerado é a maior causa da degradação do meio ambiente

                                                                                                                Fernanda Caldas







                   A carta Encíclica escrita pelo Papa Francisco, lançada no dia 18 de junho de 2015, aborda sobre as principais questões relacionadas ao meio ambiente e a forma como as ações do ser humano vêm o afetando de forma negativa. O biólogo Jefferson Pereira, sócio-diretor da Ares Consultoria, empresa que visa atender o planeta às crescentes demandas do mercado relacionadas à natureza e à sustentabilidade, aliando gestão ecológica e geoprocessamento acredita, assim como afirma na Encíclica, que o meio ambiente é a casa comum de todos os seres. Para o biólogo, o consumismo exagerado e desnecessário que visa somente ao lucro e à satisfação dos desejos, é o maior responsável pelos problemas causados à ecologia. Ele afirma que o modelo de produção no qual vivemos em sociedade busca os interesses financeiro e pessoal, sem se preocupar com as consequências que isto causa na natureza.
            A professora de ioga Juliana Dominguez, de 32 anos, se preocupa com os pontos citados por Jefferson. Para ela, o futuro ecológico é uma preocupação, uma vez que vivemos em meio a um caos urbano que polui cada vez mais a cidade. A rotina saudável dando aulas de ioga – prática meditativa que procura equilibrar o corpo e a mente -, também ajudou Juliana a ter uma postura mais consciente em relação ao que diz respeito ao cuidado com a natureza, reciclagem do lixo e redução do consumo de energia elétrica e de água potável. Para ela, as crianças serão os responsáveis pelo consumo consciente ou não de tudo o que causa danos ao ar que respiramos, a água que bebemos e aos gases poluentes cada vez mais frequentes na atmosfera.
            A Encíclica levanta questões citadas pelo biólogo e pela professora de ioga em relação aos gastos desenfreados que procura somente saciar a necessidade de obter bens de consumo, enquanto isto destrói cada vez mais a casa comum de todos.  “A Carta da Terra convida-nos, a todos, a começar de novo deixando para trás uma etapa de autodestruição, mas ainda não desenvolvemos uma consciência universal que o torne possível” (pag. 158). “Quando somos capazes de superar o individualismo, pode-se realmente desenvolver um estilo de vida alternativo e torna-se possível uma mudança relevante na sociedade”.
A Conferência do Clima, em Paris, evento que visa modificar o cenário das ações práticas relacionadas ao clima no mundo, irá acontecer entre os dias 30 de novembro e 11 de dezembro deste ano.  A expectativa é a de reunir cerca de cinco mil pessoas. O encontro tem como objetivo estabelecer um pacto, por meio da ONU, para combater as transformações preocupantes que vêm ocorrendo com o clima mundial. Tendo o aval da Convenção-quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), esta promete ser a cúpula climática com maior presença de participações oficiais, depois de Copenhague, em 2009. Os efeitos das decisões da conferência têm previsão de ocorrerem a partir de 2020. O acordo irá determinar as atitudes necessárias para conter as emissões de gases do efeito estufa que vêm trazendo graves consequências ao meio ambiente, como e desequilíbrio ambiental que gera secas, aumento do nível do mar, tempestades e enchentes.


“O principal problema é o nosso meio de produção que visa apenas à maximização dos lucros. Acabamos por consumir muito mais recursos naturais e humanos e sem a devida preocupação com a questão ambiental.”

Jefferson Pereira, biólogo



   Meio ambiente enfrenta problemas provocados pelas ações do homem

Roberta Guido é professora de Ciências e Biologia na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Para ela, as ações do homem causam fortes impactos ao meio ambiente e, por consequência, afetam a vida da sociedade.
A professora acredita que, apesar da situação atual, a água do Rio de Janeiro não vai acabar, pois, segundo ela, se o governo perceber seu esgotamento irá reduzir a demanda de água para o entorno de algumas empresas. Para Roberta, no entanto, o consumismo acelerado das grandes empresas e até de cada cidadão individualmente é exercido de forma exagerada e desnecessária, explorando os recursos naturais e causando o desequilíbrio ambiental. Roberta acredita que uma das soluções mais eficazes para combater os problemas gerados pelo homem seria haver multa pelo impacto ambiental já existente. Ela afirma, porém, que, infelizmente, o valor financeiro não faz diferença para as indústrias, uma vez que é uma quantia baixa se comparada ao faturamento que as grandes empresas geram.
A bióloga lembra, no entanto, que a extinção das espécies é um fator natural para a evolução do planeta, mas o homem está acelerando este processo com o desmatamento e o desejo de consumo desenfreado. Desta forma, os animais ficam sem abrigo, o que os obriga a procurar outros lugares como refúgio, onde eles acabam morrendo ou transmitindo doenças para a população urbana, como é o caso de alguns invertebrados.
A reciclagem do lixo é outro fator importante na conscientização que as pessoas precisam ter sobre o cuidado com o meio ambiente, segundo a bióloga. De acordo com ela, uma das maiores importâncias em relação a isto é aliviar os lixões e aterros sanitários, fazendo com que chegue até eles apenas os resíduos que não podem ser reaproveitados ou reciclados. Desta forma, os objetos são aproveitados ao máximo, sendo utilizados para confecção de novos produtos e evitando o desperdício desnecessário gerado pelo consumismo.

















Nenhum comentário:

Postar um comentário