Texto do Papa faz
crítica dura aos atuais modelos de desenvolvimento
Raissa Kubotta
A encíclica define a atividade humana como principal causador dos problemas ambientais, agravado pelo uso intensivo de combustíveis fósseis, nos últimos dois séculos. Esse ponto coloca também em questão o papel central estabelecido pelas potências mundiais na situação ambiental do planeta. Segundo o engenheiro ambiental Pedro Casemiro, notam-se poucos avanços nessa temática, porque os interesses econômicos são prioridade frente à preocupação com o cuidado com a casa comum. “Há irresponsável e desleixo com os problemas que ameaçam a saúde do planeta. Os governos e as grandes companhias não dão ouvidos à comunidade científica, e apesar de trabalharem com especialistas, minimizam os alertas”. Assim, um pensamento otimista para o futuro fica ainda mais distante, já que com atual modelo de produção e de desenvolvimento, não há alternativas.
As discussões
acerca da temática da ecologia são recorrentes nas últimas décadas. Agora,
ganham fôlego com o lançamento da Laudato
Si' – sobre o cuidado da casa comum. O texto assinado pelo Papa Francisco
apresenta uma visão mais integral de ecologia e define a mobilização como única
alternativa para a saúde da Terra. Esse posicionamento do Papa, ao ser bem
recebido por jovens, dá esperança ao futuro do planeta. O estudante Octavio
Ouriques é um dos que encara com naturalidade o importante papel que cada
pessoa exerce no cuidado com o meio ambiente, porque desde criança o entende
como uma rede. Por isso, age localmente, pensamento de forma global no reflexo
de suas ações.
A encíclica define a atividade humana como principal causador dos problemas ambientais, agravado pelo uso intensivo de combustíveis fósseis, nos últimos dois séculos. Esse ponto coloca também em questão o papel central estabelecido pelas potências mundiais na situação ambiental do planeta. Segundo o engenheiro ambiental Pedro Casemiro, notam-se poucos avanços nessa temática, porque os interesses econômicos são prioridade frente à preocupação com o cuidado com a casa comum. “Há irresponsável e desleixo com os problemas que ameaçam a saúde do planeta. Os governos e as grandes companhias não dão ouvidos à comunidade científica, e apesar de trabalharem com especialistas, minimizam os alertas”. Assim, um pensamento otimista para o futuro fica ainda mais distante, já que com atual modelo de produção e de desenvolvimento, não há alternativas.
Paris: nova
tentativa
Em
mais uma tentativa de avanço nas questões ambientas, a Conferência Climática de Paris deve
reunir cerca de 50 mil pessoas e mais de
95 nações, entre novembro e de
dezembro de deste ano. O objetivo do evento é firmar um pacto, através da
Organização das Nações Unidas, que vise combater as transformações pelas quais
passa o clima mundial e definir estratégias para o futuro ambiental do planeta.
Com previsão de efeito a partir
de 2020, o acordo de Paris determinará todos os esforços para contenção das
emissões de gases do efeito estufa. O fenômeno é dos principais causadores do
desequilíbrio climático do planeta, já que faz com que secas, inundações e
tempestades, por exemplo, sejam cada vez mais frequentes. O objetivo da ONU,
para os próximos anos, é limitar a elevação do aquecimento global em até 2ºC,
em níveis pré-industriais. Mas apesar desse compromisso, a organização declarou
que já está claro que as promessas que serão realizadas na conferência para
reduções de emissões serão muito fracas para avançar para a meta da instituição.
Cientistas afirmam que ao
considerar os níveis de crescimento atuais, o clima terrestre pode entrar em
colapso em pouco tempo. Por isso, é cada vez mais importante a concretização
das medidas. Postergar essas
ações aumentarão os custos e complexidade da situação. Nas próximas décadas, os
investimentos no setor de energia alcançarão grandes montantes e a soma
necessária para uma transição para energias limpas (não emissoras de gases de
efeito estufa) seria parte significativa desse orçamento.
Esperança
num novo pensamento
Ao destacar a ação humana como
causadora dos problemas ambientais, a encíclica do Papa aponta para o papel
exercido pelas grandes corporações multinacionais e pelos governos de grandes
países. Segundo o texto, a economia assume todo o desenvolvimento tecnológico
em função do lucro, sem prestar atenção a eventuais consequências negativas
para o ser humano. Assim, ele critica que as mesmas “forças invisíveis” sejam
capazes de regular a economia e também a situação ambiental.
O engenheiro ambiental Pedro Casemiro,
apesar de trabalhar numa empresa anglo-holandesa do setor de energia e
petróleo, se coloca de acordo com as reflexões propostas pelo Papa. Segundo
ele, admitir a atividade humana como principal agente da crise ecológica é
fundamental para planejar ações conscientes, mesmo em companhias como a que
trabalha. O engenheiro afirma que a produção energética não precisa ser
contrária à consciência ecológica. Para ele, além das fontes e recursos
renováveis, as ações que envolvem produtos nocivos ao meio ambiente, podem ser
executadas com planejamento e foco em sustentabilidade.
O panorama de crise já
estabelecido revela também a fraqueza da reação política internacional, que
para o Papa, também está submissa à tecnologia e à finança. Laudato Sí afirma
que o interesse econômico, em diversas situações, chega a prevalecer sobre o
bem comum e manipular informações. Sobre essa abordagem, Casemiro é mais
reservado, mas não esconde o poder do mercado. “Não há como negar que o
interesse econômico é prioridade para os governos. A preocupação com os índices
quantitativos que provoca às legislações frágeis e preocupação ecológica
superficial.” Ainda segundo ele, é nessas brechas que empresas de exploração de
petróleo, por exemplo, tornam-se vilões da questão ambiental. “Diferentemente
dos governos, as corporações tem objetivo declarado de gerar lucro. O mercado
exige aproveitar as oportunidades, mesmo que interfiram na saúde ambiental do
planeta”.
Ainda assim, bem como o Papa
Francisco, Pedro Casemiro tem uma postura de esperança. Como muitas
transformações já estão ocorrendo e a conscientização e o interesse público só
crescem, há razão para acreditar num novo tipo de pensamento.
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