Encíclica
'Laudato Si' e COP 21 propõem reflexões sobre clima
A agenda
ambiental de 2015 foi surpreendida pelo lançamento da Encíclica Laudato
Si', carta de chamado mundial para as questões ambientais, publicado em junho,
pelo Papa Francisco. O subtítulo do documento é "Sobre o Cuidado da Casa
Comum", que reforça a ideia de motivar a população a ter atitudes
ecológicas e serem protagonistas da causa que é coletiva.
O biólogo e
reitor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Padre
Josafá Carlos de Siqueira, afirmou que a ação do Papa Francisco foi um marco
histórico dentro da Igreja Católica. Foi o primeiro documento publicado
que não é direcionado aos fiéis, e sim ao público diverso.
O tema chegou com força nas universidades.
Leonardo Zielinsky, estudante de empreendedorismo da PUC-Rio, aproveitou o tema
para desenvolver o projeto Disjuntor Zero. O aparelho buscar reduzir o gasto
elétrico a partir do desligamento automático de aparelhos que permanecem
ligados em modo stand by, responsáveis
por até 12% do gasto de luz familiar. “Mais que empreender, é importante
inspirar outros jovens. Quanto mais gente trabalhando pela natureza, mais
possibilidades nós teremos de tornar o mundo um lugar melhor”.
O desafio encontrado pelos engajados nessas
questões é, nesse momento, alcançar com mais força a grande a massa. As
lideranças políticas, religiosas e científicas já sabem da movimentação. Nesse
momento, é necessário articular ações para que mais pessoas saibam e que se
motivem a participar.
Conferência
em Paris
Em
busca de mais compromisso das lideranças mundiais para preservação do meio
ambiente, sobretudo no que diz respeito à mudança climática, a 21ª Conferência das Partes das Nações Unidas para
Mudanças Climáticas (COP 21) pretende limitar o aumento da temperatura
do planeta a 2ºC acima da média pré-industrial. O evento reduzir os efeitos do
aquecimento global.
A Conferência será em Paris, na França, entre os
dias 30 de novembro e 11 de dezembro.
Diferentemente da Rio+20, em que não houve a participação dos países
mais importantes, a organização da COP 21 se esforça para que as autoridades
estejam presentes. Entre eles, os mais esperados são China e Estados Unidos.
A partir das acordos e reflexões geradas ao longo
das três semanas em Paris, especialistas engajados no tema espera ver resultados
efetivos no Brasil. “Todo cidadão tem direito a um ambiente
ecologicamente equilibrado, garantido pela Constituição Brasileira, no artigo
255. Portanto, cabe ao Estado e a cada cidadão manter esse equilíbrio. Evitar o
desperdício e o consumo excessivo é uma forma simples de contribuir para a
preservação de recursos naturais”, afirma a bióloga e professora do Colégio
Pedro II Izabella Coutinho.
“Mais que empreender,
é importante inspirar
outros jovens. Quanto
mais gente trabalhando
pela natureza, mais
possibilidades nós teremos
de tornar o mundo um
lugar melhor"
Leonardo Zielinsky
Estudante de Empreendedorismo
Insustentabilidade: consequências em cadeia
Tudo que é relacionado à natureza
tem funcionamento cíclico: o ciclo da chuva, o ciclo do ar, a cadeia alimentar.
Da mesma forma se relacionam as práticas não sustentáveis, podendo tomar
proporções globais.
Em contexto local e palpável,
está o consumo sem controle, que associado à baixa taxa de reciclagem, gera
resíduo excessivo e, consequentemente, polui o ambiente. Parte do lixo
descartado libera metais tóxicos e poluem os solos. Essas substâncias contaminantes
atingem lençóis freáticos, rios e cursos hídricos, impossibilitando o consumo de
água e intoxicando alimentos e animais criados cultivados e criados próximos a
esses locais. Com isso, há aumento no número de cidadãos doentes, fato que além
de causar perda de vidas inocentes, gera mais lixo hospitalar durante o
tratamento dos enfermos. As chances desse lixo ser descartado na natureza são
grandes. Segundo a última pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística, realizada em 2011, 20% do lixo hospitalar produzido no Brasil não
é tratado.
“O ritmo de consumo, desperdício
e alteração do meio ambiente superou de tal maneira as possibilidades do planeta,
que o estilo de vida atual – por ser insustentável – só pode desembocar em
catástrofes, como, aliás, já está a acontecer periodicamente em várias
regiões”, reforça Papa Francisco na Encíclica Laudato Si'.
Se a dificuldade for pensar numa
esfera macro a importância de preservar o meio ambiente, é possível
transportá-lo para o micro, com consequências no dia a dia. Elas passam pela
esfera da saúde, da falta d’água e do caos urbano. Seja por exposição ao
dióxido de carbono e sua complicação nas doenças respiratórias ou a contaminação
do solo com metais pesados, desenvolvendo na população enfermidades como o
itai-itai (contaminação por cádmio) e doenças nervosas provocadas por
neurotoxinas. A crise hídrica já chega a torneira de casa, pois os rios estão
poluídos desde a nascente, e os reservatórios não suportam o alto consumo e
desperdício. As enchentes que ocorrem por dificuldades de escoamento, uma vez
que os bueiros estão entupidos por lixo.
Tudo isso é apenas parte do que
cada cidadão comum pode contribuir. As mazelas da política de sustentabilidade,
os acordos internacionais não cumpridos, governos despreparados e empresas
despreocupadas são assuntos pra outros cafés com bolachas, se houver água para
fazê-los.
Escrever sobre meio ambiente foi uma ótima experiência. Os pontos positivos foram o contato com as pautas atuais de sustentabilidade e a movimentação internacional no tema. A busca por pessoas de áreas diferentes para falar sobre o tema deixou tudo mias rico. No entanto, senti falta de espaço para falar sobre a real responsabilidade nos temas ambientais (agricultura, pecuária, construção civil e indústria). Como trabalhamos na perspectiva das "coisas que o cidadão comum pode fazer para contribuir", ficamos alienados numa visão micro de algo que é macro. A realidade é que sustentabilidade é uma pauta que exige muito mais espaço para conseguir abarcar os temas e perspectivas diversos. Foi um ótimo começo!
ResponderExcluirCaio Santana
A questão do meio ambiente é uma das mais importantes no mundo atual. A preocupação com o rumo que a natureza e seus recursos estão tomando é algo que comove cidadãos e autoridades de diversas nacionalidades. O trabalho de pesquisa realizado na aula e fora dela, nos possibilitou saber como diversos profissionais de várias áreas relacionadas ao meio ambiente, vêem este problema. É importante e sadio saber que, apesar dos pontos negativos nos quais a natureza se encontra, há pessoas que se preocupam e realizam eventos, como a COP 21 para tentar melhorar estas questões. Afinal, os recursos do meio ambiente não são infinitos e nós, seres que habitam o planeta Terra, precisam deles par sobreviver, mas, infelizmente, nem sempre nos lembramos disso e acabamos prejudicando-o.
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