Especialista
sugere adesão de energias renováveis contra o aquecimento
Em
encíclica sobre o meio ambiente, publicada em junho deste ano, o Papa Francisco
acusa o homem de ser o principal responsável pelo aquecimento do planeta. Ratificando a
declaração do Papa, o físico e membro do Intergovernamental de Mudanças
Climáticas (IPCC) Luiz Pinguelli Rosa relata que
o uso de energias renováveis no planeta, ação que poderia reduzir o impacto das
mudanças climáticas, é de apenas 10%. Nos países ricos a situação é ainda pior,
o emprego de energias que vêm de recursos naturais que são naturalmente
reabastecidos, chega a 5%.
No mundo, ainda
usa-se muito o carvão. Ao todo, 80% da energia do planeta é a soma de carvão,
petróleo e gás natural. Todos esses elementos emitem muitos gases do efeito
estufa, o que causa as mudanças climáticas. Na encíclica, o Papa condena duramente
os países mais ricos que resistem em adotar medidas para reduzir as emissões de
carbono:
“O aquecimento causado pelo
enorme consumo de alguns países ricos tem repercussões nos lugares mais pobres
da terra, especialmente na África, onde o aumento da temperatura, juntamente
com a seca, tem efeitos desastrosos”.
Apesar de ter
nascido em uma das regiões que mais sofrem com a seca no Brasil e de atualmente
morar em Bangu – bairro do Rio de Janeiro que detinha, até ano passado, maior
máxima de temperatura, com 43,1 graus –, o pernambucano Ulisses Dornellas, militar,
22 anos, assegura que o aumento de calor “nunca foi consequência do aquecimento
global”. Ele também revela que não faz esforço algum para mudar suas atitudes
em relação ao meio ambiente.
“Lavo minha
calçada, meu carro, normalmente. Não tenho tempo para me preocupar com causas
ecológicas. Deixo isso para minha irmã mais nova”, declara.
Ações para sustentabilidade
Na contramão das atitudes de Dornellas, o
advogado Luís Silva de Castro, 46 anos, é um cidadão atento às questões do meio
ambiente e da qualidade de vida da população. Morador de Nova
Iguaçu, município da Baixada Fluminense, Castro não deixa que a falta de uma
coleta seletiva em seu bairro afete suas ações em prol do meio ambiente.
“Exercemos uma
relação direta e constante com todas as coisas à nossa volta. Por isso, juntamente
com alguns vizinhos, começamos a incentivar as pessoas a separarem o plástico,
o vidro e o isopor do lixo orgânico. A partir disso, introduzimos a nossa
própria coleta seletiva”, relata.
Para o advogado,
“a adoção de medidas que visem à sustentabilidade não deveria ser destaque, mas
sim obrigação de todos”. “Pequenas e
grandes ações ajudam a ter um planeta em boas condições para nós e para as
gerações futuras”, afirma.
De acordo com o
físico Pinguelli, além da população, o governo brasileiro também precisa rever
suas fontes de energia como ação de sustentabilidade. Apesar de o Brasil ser
mais sustentável do que as nações desenvolvidas - cerca de 40% de sua energia é
renovável -, o país ainda necessita de um planejamento ambiental.
“O Brasil já usa
bastante a hidroeletricidade e os biocombustíveis, energias que emitem menos gases
que outras matrizes energéticas. Mas é preciso diversificar e usar com mais
intensidade a energia eólica e a solar. Além disso, o país precisa investir em
termoelétricas mais modernas, as nossas estão muito obsoletas”, sugere o
especialista.
COP 21: BRASIL ANUNCIARÁ META
A
criação de um novo acordo climático para conter o aquecimento global é o
objetivo da 21ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre
Mudanças Climáticas (COP 21), que acontecerá entre os dias 30 de novembro e 11
de dezembro deste ano, em Paris, na França. Para
desacelerar as mudanças climáticas por meio de ações sustentáveis e em
consequência limitar o aumento da temperatura global em 2ºC até 2100, o
possível trato deverá entrar em vigor em 2020, substituindo o Protocolo de Kyoto,
de 1997, que teve resultados decepcionantes.
Ao todo, 196
países irão participar da COP 21 e espera-se que cerca de 50 mil pessoas estarão presentes na Conferência. O Brasil ainda
não divulgou suas metas para a COP21, mas, de acordo com a ministra do Meio Ambiente,
Izabella Teixeira, durante audiência pública sobre os desafios das mudanças
climáticas, na última terça-feira (15), na Câmara dos Deputados, “a presidente Dilma Rousseff deve anunciar [as medidas] na sua visita a Nova
York, às Nações Unidas, no fim do mês de setembro”. Em 2009, na
COP 15, em Copenhague, o Brasil estipulou uma meta voluntária de redução entre
36% e 39% das emissões de gases projetadas para 2020.
Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a taxa de desmatamento na Amazônia Legal aumentou 29% de 2013 para 2014. Com base nessa informação, o Brasil alcança o primeiro lugar do ranking mundial no desmatamento de florestas tropicais, uma das principais fontes de emissões de gases estufa no país. Além disso, dados registrados pelos satélites do Inpe indicaram continuidade do aumento em 2014.
Apesar dos
dados, Pinguelli acredita que o país vai conseguir cumprir a meta voluntariamente.
“O Brasil já diminuiu muito o
desmatamento. Em princípio, tudo indica que o Brasil vai conseguir o que ele
propôs em Copenhague. Ainda faltam cinco anos. O problema é depois de 2020. O Brasil vai fazer o quê? Não existe nenhum planejamento para depois desse período”, revela.
Eu achei bem legal a ideia da Layssa de só citar a Encíclica, mas trazer como lead o uso de apenas 10% das energias renováveis. A forma como ela intercala a palavra do papa na Encíclica e a matéria também foi uma boa iniciativa. O texto está muito bem escrito. Achei legal também a parte que fala sobre o advogado que incentiva a coleta seletiva no bairro. Acho boa também a iniciativa de colocar o Brasil no âmbito das negociações da COP 21. Isso dá uma boa contextualização da situação brasileira e aproxima ainda mais o leitor do texto.
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