Em
carta encíclica, pontífice fez apelo para a reformulação de hábitos
Divulgada
em junho deste ano, a carta encíclica Laudato
Si', do Papa Francisco, tem sido motivo de muita discussão. Entre os
principais temas abordados, está o comportamento inadequado das pessoas, que
não associam que fazem parte do planeta e precisam dele para sobreviver. A
tecnologia também é discutida no documento. Apesar de ter trazido muitos
avanços para a humanidade, ela nos põe diante de uma encruzilhada, pois também
acarretou em danos para a natureza, visto que motivou muitas pessoas a pensarem
em um desenvolvimento a todo custo. Engenheiro ambiental, Ciro Mendonça, de 63
anos, tratou de exemplificar a utilização da tecnologia com a seguinte frase: “A
mesma faca que faz a incisão em um paciente para salvar sua vida pode ser usada
por um assassino para o mal, para tirar a vida de uma pessoa”.
As
atitudes inadequadas das pessoas, inclusive, são uma das principais causas para
o aquecimento do planeta, segundo o Papa. Na carta, fica evidente que o
individualismo é algo que mais preocupa e motiva a crise ecológica. De acordo
com o pontífice, as pessoas precisam internalizar que fazem parte da natureza,
que é a “casa comum”, e, por isso, precisam cuidar de forma carinhosa.
Estudante de economia da UFF, João Caldas, de 20 anos, é um dos muitos
brasileiros que não associam a humanidade com o meio-ambiente. Segundo o jovem,
até os 16 anos, se preocupava muito com as questões ambientais. “Já não me
importo mais com o futuro do planeta. Já passei por uma fase de muita
dedicação, mas não via um resultado concreto. Além disso, meus amigos zombavam
de mim: jogavam o lixo no chão porque sabiam que eu ia catar. Isso me deixou muito
desmotivado”, explicou.
Reformulação de hábitos
Ao
comentar sobre o comportamento das pessoas, o engenheiro Ciro afirmou que é um
problema fundamentalmente educacional. De acordo com o especialista, a
conservação ambiental é algo que deve vir do berço e, para isso, precisa ser
incutido nas pessoas desde criança. “É um valor que precisa ser legitimado pela
sociedade, assim como ocorreu com os direitos humanos”, afirmou. O Papa
Francisco escreveu que não é fácil reformular hábitos e comportamentos. No
entanto, garantiu que ainda não tem nada perdido e que só é preciso “voltar a
sentir que precisamos uns dos outros, que temos uma responsabilidade para com
os outros e o mundo, que vale a pena ser bons e honestos.”
Com o objetivo de
firmar um pacto, através da ONU, que vise combater as transformações pelas
quais passa o clima mundial, a Conferência do Clima terá a edição deste ano
sediada em Paris. No encontro, que será realizado entre os dias 30 de novembro
e 11 de dezembro, vão ser discutidas as atitudes necessárias para conter as emissões de gases do efeito
estufa, que causam o desequilíbrio ambiental e as secas, além do aumento do
nível do mar, tempestades e enchentes. Os efeitos das decisões da reunião, no
entanto, só devem ser visíveis a partir de 2020.
“Já não me importo
mais com o futuro
do planeta. Já
passei por uma fase
de muita dedicação,
mas não via um
resultado concreto.
Isso me deixou
muito desmotivado”
João Caldas
Estudante
Estudante
Especialista
culpa consumismo
“O
consumo precisa ser moderado”. É dessa forma que o engenheiro ambiental Ciro
Mendonça começou a sua resposta ao ser perguntado sobre as soluções para um
futuro melhor. Nos dias atuais, o modelo de comércio estimula cada vez mais a
compra de produtos supérfluos e, muitas vezes, desnecessários. Para isso, utiliza-se
de propagandas que mexem com o emocional do consumidor, de modo que ele se
sinta feliz ao comprar determinado produto. Este consumo excessivo, no entanto,
gera uma quantidade enorme de lixo, que é um dos grandes problemas atuais do
planeta.
Disposto
a mudar o planeta, Ciro garantiu que a crise ecológica se dá, em grande parte,
por consequência do individualismo das pessoas. “Hoje se estimula e se
incentiva o consumismo desmesurado, quando na realidade todas as religiões e
todos os sábios pregam a moderação. Esta é uma ação totalmente individualista e
egoísta, daqueles que não pensam no planeta e no próximo”, enfatizou.
Além
disso, o engenheiro listou algumas medidas fundamentais para que a situação do
planeta comece a ser revertida. Entre elas, destacam-se: reutilização de
objetos e das matérias primas, economia da água e da energia, transporte
alternativo e, obviamente, menor consumo.
Ciro,
no entanto, explicou que o homem não é o único culpado pelo aquecimento do
planeta. Segundo o especialista, há também uma pequena parcela de fenômeno
natural. “A Terra já esteve quente no passado, em um período chamado Eoceno.
Além disso, já passou por algumas glaciações. A questão é o intervalo de tempo:
esses fenômenos costumam ocorrer intercalados de milhares de anos e nós estamos
falando da humanidade se extinguir nos próximos cem anos, por falta de juízo do
próprio homem”, concluiu.
Ciro está certo, enquanto continuarmos consumindo de maneira desenfreada e completamente sem moderação, estaremos fadados a encontrar lixo em todos os lugares. Além disso, não há o descarte correto de todos os dejetos e, muitas vezes, o que poderia ser reaproveitado acaba apodrecendo em lixões ou aterros sanitários, muitas vezes construídos sem qualquer infra-estrutura.
ResponderExcluirApesar do consumismo, não deve-se imaginar que isso seja somente um problema que cada um deve solucionar por conta própria e nas micro atitudes do dia a dia. Mercados, indústrias e empresas também têm que se mobilizar para evitar o desperdício de água, comida e qualquer outra coisa que se perca na fabricação ou venda de algum bem.
Davi Barros
Ciro está certo, enquanto continuarmos consumindo de maneira desenfreada e completamente sem moderação, estaremos fadados a encontrar lixo em todos os lugares. Além disso, não há o descarte correto de todos os dejetos e, muitas vezes, o que poderia ser reaproveitado acaba apodrecendo em lixões ou aterros sanitários, muitas vezes construídos sem qualquer infra-estrutura.
ResponderExcluirApesar do consumismo, não deve-se imaginar que isso seja somente um problema que cada um deve solucionar por conta própria e nas micro atitudes do dia a dia. Mercados, indústrias e empresas também têm que se mobilizar para evitar o desperdício de água, comida e qualquer outra coisa que se perca na fabricação ou venda de algum bem.
Davi Barros