quinta-feira, 8 de outubro de 2015

O Papa faz um apelo por conversão ecológica

  
A busca de Francisco por matas verdes e águas limpas
 Giulia Muller




     No dia 18 de junho, em 200 páginas, o Papa Francisco fez um apelo a sociedade para que voltasse suas atenções ao meio ambiente, em sua “encíclica verde”, Laudato Si', o Pontífice descreveu o cenário de completo abandono que se encontra a natureza e seus recursos. 

     O Papa culpa a humanidade pelo aquecimento global e pede a população uma conversão ecológica. Entre os objetivos da encíclica, Francisco faz um apelo a redução da emissão de gases poluentes e ao consumo de materiais plásticos. “A Terra, nossa casa parece se transformar a cada dia em um imenso deposito de lixo”. O Pontífice pediu mudanças no estilo de vida do cidadão comum, e acusa as potências e suas indústrias de fazer um uso irresponsável dos recursos.

     “A humanidade está convocada a tomar consciência da necessidade de realizar mudanças de estilo de vida, de produção e de consumo”, escreveu o Papa, que acusa a “política e as empresas de não estarem a altura dos desafios mundiais”, depois de terem feito um “uso irresponsável dos bens que Deus colocou na Terra”.  

     O tipo de consumo ao qual o Papa se refere foi também muito criticado pela pesquisadora e professora de biologia da UERJ Helena Bergallo. Para ela Francisco assumiu uma postura correta frente ao modo exacerbado que estamos consumindo. “Para produzirmos tudo que consumimos estamos tirando da terra muito mais do que ela pode produzir e devolvemos uma quantidade de lixo absurda que não há como ser absorvida. O consumo perdeu o tom. Buscamos bens infinitos através de recursos finitos”.  



Unidos por mudanças 


     A Encíclica lançada pelo Papa Francisco foi um dos apelos feitos a humanidade que visa à reforma ecológica no mundo. Mas ele não está sozinho. Em dezembro de 2015, ocorrerá a Cúpula Climática de Paris, onde o tema principal será a luta contra as mudanças climáticas. Segundo especialistas da COP 21 os impactos das mudanças climáticas que estão acontecendo em uma velocidade sem precedentes “já afetam todos os continentes, do Equador aos polos das montanhas às planícies”.  

     “Para Francisco, os países desenvolvidos não estão comprometidos com o meio ambiente. Muito facilmente, o interesse  econômico prevalece sobre o bem comum e manipula informações para não ver seus projetos afetados. Enquanto isso, os países mais pobres nada podem fazer e acabam por ser os mais prejudicados.”  

     Tanto para o Papa Francisco quanto para os 196 cientistas e pesquisadores da COP 21, o mundo está em estado de emergência e a sociedade precisa ter conhecimento das consequências que os impactos ambientais podem gerar. Segundo Francisco, a água é um dos recursos que corre maior risco. “É previsível que, frente ao esgotamento de alguns recursos, seja criado gradualmente um cenário favorável para novas guerras, disfarçado de reivindicações nobres, afirmou o Pontífice, em relação a possíveis guerras e disputas por água”.  

     O Papa Francisco pede que o mundo, assim como ocorrerá na Cúpula Climática de Paris, com a presença de diversos representantes de diferentes países, se una para que não mais estejamos nesse cenário de calamidade. A submissão ao capital foi apontada como um dos principais fatores que gera a segregação entre os povos e, por consequência, se torna determinante para a mudança ecológica. "Para Francisco, os países desenvolvidos não estão comprometidos com o meio ambiente. Muito facilmente o interesse econômico prevalece sobre o bem comum e manipula informações para não ver seus projetos afetados. Enquanto isso, os países mais pobres nada podem fazer e acabam por ser os mais prejudicados.  

Os reflexos da Encíclica 

     No entanto, as propostas do Papa não agradam a todos. Após a divulgação da Encíclica Laudato Si' , três cientistas se juntaram para ir contra as palavras nela escritas. Eles criaram um manifesto que basicamente era o inverso do que foi proposto na encíclica, e acusaram Francisco de ser um "Papa contra o progresso". O Papa pede por uma "regressão a simplicidade" em oposição ao consumismo, o manifesto acredita que não devemos diminuir e sem aumentar, produzir e crescer, pois, segundo os cientistas "big is beautiful". 

     Segundo a pesquisadora Helena Bergallo, a posição dos cientistas foi equivocada e não reflete a realidade que vivemos. Ou seja, não faz jus ao momento de calamidade no qual se encontra o meio ambiente. "Sim, precisamos produzir inovar e crescer, mas existe um limite que quem impõe é o meio ambiente. Para nós utilizarmos toda essa aparelhagem ou para termos toda essa infraestrutura das cidades precisamos de matéria que vem da natureza. E no momento estamos esgotando esses recursos ou usando de forma equivocada para suprir esse consumo exagerado". 

     Os autores do Manifesto Eco modernista acreditam ainda que a solução para todos os problemas da crise ecológica será a tecnologia. Isto é, a mesma tecnologia que hoje gera consumo, lixo, destruição e polui, irá no futuro corrigir os danos ambientais causados. A pesquisadora Helena Bergallo reconhece os pontos positivos da tecnologia, mas não acredita que teremos tempo de ver essa mudança ambiental ocorrer graças a meios tecnológicos. 

     "Não temos esse tempo hábil que eles acham que temos para criar tecnologias que corrigirão nossos erros. As tecnologias têm melhorado muito e minimizado impacto como uso de energia solar, mas ainda é muito pouco utilizada frente aos benefícios. Por outro lado, nossa capacidade de produzir alimentos aumentou graças a novas tecnologias, mas criamos uma crise no campo com o êxodo do rural. As máquinas roubaram a vaga de diversos trabalhadores. Essas mesmas máquinas pioram a qualidade dos solos, o que faz aumentar o uso de produtos químicos que acabam por envenenar a terra, os rios, as águas, plantas e animais." 

2 comentários:

  1. Muito interessante, Giulia! É ótimo saber que alguém com tanta influência como o Papa Francisco está incentivando as pessoas a tornarem o mundo um lugar melhor, mesmo recebendo críticas negativas. Concordo com a pesquisadora Helena Bergallo quando ela afirma que os contra a Encíclica feita pelo pontífice foram equivocados. É importante continuar progredindo mas sem prejudicar a Terra de maneira irreversível.

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    1. Espero ainda que a Cúpula de Paris consiga atingir seus objetivos e que não seja um fracasso como foi a de Copenhagen, em 2009.
      Precisamos todos fazer nossa parte.

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