terça-feira, 6 de outubro de 2015

Nova preocupação mundial


Conexão entre a Terra e o ser humano é a prioridade

                                                                                        Agatha Meirelles




Parte de um mesmo todo. É com essa visão que a população deve seguir para conseguir recuperar o que retirou da Terra. Relembrar que o ser humano e a natureza estão conectados é a prioridade. Logo, degradar o meio ambiente é o mesmo que agredir o homem. A destruição é uma realidade e, por isso, o futuro climático é cada vez mais a pauta de conferências mundiais. Até 2050, as temperaturas devem subir até 4 graus Celsius, enquanto o ideal seria elevar apenas 2 graus Celsius em cem anos. Ao pensar nisso, o Papa Francisco escreveu o Laudato Si', um apelo destinado a todos os habitantes da nossa Casa comum, para tentar salvá-la.

Mesmo com pesquisas comprovando a gravidade do assunto, ainda há pessoas que não acreditam que pequenos atos podem fazer diferença em escala global. O advogado Otávio Estevão, de 25 anos, mora ao lado do trabalho e afirma que a atitude de ir andando ou até de bicicleta para diminuir a poluição, não vai contribuir tanto quanto pensam. “Essa onda verde é moda. Não adianta continuar poluindo com criação de gado e vir me pedir para trocar meu meio de transporte. Isso é papo furado.”, assegurou.

Entretanto, a engenheira ambiental Gabriella Leal afirma que são nas mínimas atitudes que começam grandes mudanças. De acordo com a engenheira, economizar nas sacolas plásticas do mercado, por exemplo, pode trazer significativo impacto positivo para o meio ambiente. “Quando não descartadas corretamente causam o entupimento de bueiros que, aliado à chuva, é uma das causas das constantes enchentes. Além disso, o volume que essas embalagens ocupam provoca o esgotamento do espaço dos aterros e a ingestão desse lixo por animais nas reservas biológicas.”, reiterou. 


A reação mundial

Com esse cenário preocupante, a Conferência Climática de Paris traz uma promessa de mudança. Entre os dias 30 de novembro e 11 de dezembro deste ano, são esperados 95 nações para discutir os rumos climáticos do planeta. O objetivo do encontro é firmar um pacto, através da Organização das Nações Unidas, que combata as transformações mundiais. Essa será a cúpula com maior presença de participantes oficiais desde Copenhague, em 2009.

O documento final deve determinar todos os esforços para contenção de emissão dos gases de feito estufa, além do alarmante aumento no nível dos mares. Entretanto, a previsão para que essas medidas se concretizem é a partir de 2020. O objetivo da ONU é, ainda, limitar, para um futuro próximo, a elevação do aquecimento global em até 2ºC. Esse nível só era possível antes da existência da indústria no planeta. Essa é uma das principais preocupações entre os temas porque, de acordo com cientistas, se o crescimento continuar o clima terrestre pode entrar em colapso.  Esse acordo, a partir de 2020, deve substituir o atual Protocolo de Kyoto. Entre os pontos pactuados à nível nacional, está a revisão dos compromissos de redução de emissões a cada cinco anos de países como a Alemanha.

O Brasil representa mais de 50% da redução global de emissões de Carbono, segundo estimativas da ONU. Entre 2001 e 2015, esse índice caiu em 25% por causa do desmatamento, passando de 3,9 para 2,9 gigatoneladas por ano.


Sociedade e ambiente doentes

Se para os seres humanos a doença do século é o câncer, para a Terra, nossa casa comum, é o consumismo. Esse mal que toma conta de uma sociedade capitalista e doente, já ultrapassou os cem anos. Apontado como um dos principais problemas para o meio ambiente, o consumo desenfreado de produtos acarreta consequências irremediáveis para o mundo. Os recursos naturais, utilizados como matéria-prima, são finitos e não acompanham o ritmo imposto pelo modelo econômico atual.

Essa questão está intimidade ligada à cultura vigente do descarte na população mundial. O papel, por exemplo, um dos produtos mais consumidos e que pode ser reciclado, não é, na maioria das vezes, reaproveitado. E se as plantas conseguem, por si só, se organizar para se manter em equilíbrio, o homem segue o exemplo do que não fazer. Na Encíclica Laudato Si', o Papa Francisco afirmou que as indústrias não desenvolveram a capacidade de reabsorver os resíduos. “Custa-nos a reconhecer que o funcionamento dos ecossistemas naturais é exemplar: as plantas sintetizam substâncias nutritivas que alimentam os herbívoros; estes, por sua vez, alimentam os carnívoros que fornecem significativas quantidades de resíduos orgânicos, que dão origem a uma nova geração de vegetais. Ao contrário, o sistema industrial, no final do ciclo de produção e consumo, não desenvolveu a capacidade de absorver e reutilizar resíduos e escórias”, afirmou.


Essa onda verde
é moda.
Não adianta
continuar poluindo
com criação
de gado e vir
me pedir para
trocar meu meio
de transporte"


Otávio Bruno 
Advogado do Azevedo Sette



      Na contramão desse universo do consumo, algumas técnicas são adotadas pela sociedade como forma de equilibrar a existência do homem e da natureza. Um exemplo é a permacultura, que engloba métodos holísticos para planejar, atualizar e manter sistemas humanos ambientalmente sustentáveis e social e financeiramente justos. Segundo a engenheira ambiental Gabriella Leal, esse viés ambiental está relacionado à questão da sustentabilidade e garante moradia e alimentação em constante contato com o meio ambiente. Ainda de acordo com a engenheira, esse seria o modelo ideal para uma relação harmoniosa e duradoura com a nossa casa comum.




Um comentário:

  1. Eu acho muito bonito essa conexão do ser humano com o planeta em si. Acho que se as pessoas nutrissem esse sentimento de pertencimento, de conectividade com a Terra, seria muito mais fácil falar de preservação ambiental. Percebo que o planeta, desde a década de 60 com o boom das economias globais, adota uma portura muito destrutiva. Com a política neoliberal dos anos 90 sinto que isso se agravou ainda mais. A partir dos anos 2000 (e aí incluo a nossa geração) as pessoas começaram a pensar num nível de consumo sustentável. Estamos percebendo, aos poucos, que é preciso mudar, já que o planeta não vai se sustentar - e nos sustentar! - por muito tempo. Só fico preocupada com a velocidade com que as coisas são feitas. Agora mesmo, a quilômetros de distância, enquanto escrevo esse comentário, áreas inteiras da Amazônia foram desmatadas. Isso sem falar da quantidade de animais que morreram nesses últimos 10 minutos. Isso dá um apertão no peito. :( Coloco minha voz, minhas preces e pensamentos para que esse massacre acabe. E, eventualmente, a pressão que posso exercer como cidadã. Um beijo Agatha :*

    ResponderExcluir