Especialista
em paisagismo ambiental sugere mudança de hábito
O Brasil
encara uma crise hídrica sem precedentes. Esse é o cenário que estamos
enfrentando há algumas décadas, mas que só agora tomou proporções gigantescas.
A falta d’água sempre existiu, entretanto, a população tem sentido na pele
ultimamente. O racionamento, já é uma realidade em algumas casas no interior de
cidade de São Paulo, onde a situação da crise é extremamente frágil.
Na
Encíclica Laudato Si', o Papa
Francisco fala sobre a casa comum e aborda a situação alarmante em que o planeta
se encontra. A impossibilidade de nos sustentarmos hoje em dia é bem visível, e
a crise hídrica serviu para evidenciar ainda mais esse quadro. “O nível atual de consumo dos países mais desenvolvidos e
dos setores mais ricos da sociedade, onde os hábitos de desperdiçar e jogar
fora atingem níveis inauditos.” No trecho retirado da Encíclica fica claro a
preocupação do Papa em relação à falta de resiliência do planeta.
A professora
de paisagismo ambiental Cecília Beatriz da Veiga Soares afirma que usa de seu
curso para levar formas de evitar o desperdício e reaproveitar recursos
naturais. “Paisagismo não é apenas para o embelezamento, no sentido decorativo,
é imprescindível a preocupação com a qualidade de vida dos habitantes. Com a
importância de preservar nosso planeta da destruição, o paisagismo deve
abranger preservação e ecologia”, contou a paisagista.
Além da
situação da água no mundo, na Encíclica, o Papa também engloba uma questão
muito importante que é pouco discutida. O fato de as pessoas mais pobres serem
as primeiras a sofrerem com fragilidade do planeta. Em relação à falta d'água,
os mais necessitados são também os mais prejudicados. Na maioria das vezes, a
água nem chega até eles e, se chega, a qualidade é desumana. Na Encíclica, nos é
mostrado como o estado que a água chega aos mais necessitados causa mortes.
"Entre os pobres, são frequentes as doenças relacionadas com a água,
incluindo as causadas por microrganismos e substâncias químicas. A diarreia e a
cólera, consequências de poucos serviços de higiene e reservas de água
inadequadas, constituem um fator significativo de sofrimento e mortalidade
infantil."
Sobre a
falta d'água aqui no Brasil, Cecília disse que mudou alguns hábitos de sua rotina
para que evitasse ainda mais o desperdício. Há muito tempo, ela já se
preocupa com a situação do planeta e pensa no futuro de seus filhos e netos.
- É uma obrigação cuidarmos do desperdício de água. Com a falta de chuva devido ao desmatamento e os reservatórios muito abaixo da média, fomos obrigados a mudar alguns hábitos em nossas vidas. O triste é que ainda tem gente que acha que isso não é necessário - afirmou a professora.
- É uma obrigação cuidarmos do desperdício de água. Com a falta de chuva devido ao desmatamento e os reservatórios muito abaixo da média, fomos obrigados a mudar alguns hábitos em nossas vidas. O triste é que ainda tem gente que acha que isso não é necessário - afirmou a professora.
“Paisagismo não é
apenas para o
embelezamento,
no sentido
decorativo,
é imprescindível a
preocupação com a
qualidade de vida
dos habitantes.”
Cecília
Beatriz da Veiga Soares
Paisagista ambiental
COP 21: Buscando Soluções
Desde o
verão passado, os brasileiros vêm sentindo na pele os efeitos das mudanças
climáticas. Na estação mais quente do ano, a chuva sempre refrescava no
fim do dia, as conhecidas chuvas de verão. Entretanto, no verão de 2014 o
cenário foi completamente diferente. As esperadas chuvas não vieram, trazendo
assim o problema da falta d'água nos reservatórios da cidade de São Paulo. Quem
diria que um dia, a terra da garoa estaria seca como o sertão do Nordeste.
A professora Cecília
Beatriz da Veiga Soares, que também é diretora da Sociedade dos Amigos do Jardim Botânico
(SAJB), explica as medidas a serem tomadas para enfrentarmos essas
mudanças. "Atualmente a população mundial começa a entender os efeitos das
mudanças climáticas e cada país deve indicar agora o que está disposto a fazer.
Em novembro, haverá uma reunião importantíssima, a Conferência do Clima, a
COP 21 em Paris”.
A Conferência
acontece num momento crucial em que decisões devem ser tomadas efetivamente
para que o pior não aconteça. O intuito é que com os acordos, o aquecimento
global não ultrapasse a marca de 2 graus Celsius. Esperamos medidas drásticas e
eficazes, ao contrário nossa sobrevivência no planeta será cada vez mais
difícil.
Extremos da mesma moeda
O
planeta vem passando por uma série de crises, uma desencadeando outra, e quase
todas causadas por nós, seres humanos. Falta d'água, acúmulo e produção
desenfreada de lixo, poluição sonora e do ar, inundações, secas, todos esses
problemas são consequências de ações acumuladas durante anos que agora nos
trazem danos irreversíveis.
Este
ano, a Encíclica do Papa Francisco fala sobre nossa casa comum, sobre o estado
em que a Terra se encontra. Também este ano, haverá a Conferência do Clima em
Paris, um dos eventos mais importantes para discutir as mudanças climáticas e
propor medidas para evitar o colapso. Diretora do Departamento de Filosofia da
PUC-Rio, Déborah Danowski nos apresenta duas visões totalmente distintas sobre
o cenário em que nos encontramos.
Enquanto
a Encíclica se preocupa em deter o crescimento tecnológico para que possamos
retornar ao princípio do planeta, outros pensam que o crescimento não pode parar.
“Assim que a encíclica foi divulgada, por exemplo, Mark Lynas, juntamente com
Ted Nordhaus e Michael Shellenberger, escreveu um artigo que foi bastante
difundido nas redes, intitulado ‘Um papa contra o progresso’”, apontou Déborah.
O tempo
todo, a diretora fala sobre o fato das pessoas nem se darem conta de que suas
pequenas ações contra o ambiente provocam um mal absurdo para os outros e acima
de tudo para si próprias. As pessoas afirmam se importar e se preocupar com o
meio ambiente, mas não abrem mão de seu estilo de vida luxuoso. Para ilustrar
essa situação, temos as duas vertentes representadas por duas pessoas, uma
engajada na causa de defesa ao meio ambiente e outra totalmente adversa.
Moradora
da Zona Sul do Rio, a bióloga Ana Iantorno, de 56 anos, se considera uma pessoa
que se preocupa com o meio ambiente. Desde pequena, Ana sempre se preocupou em
economizar água, não desperdiçar comida e não acumular lixo. "Sempre
procuro reaproveitar ao máximo os alimentos em minha casa, utilizo as sobras do
almoço e jantar para o dia seguinte por exemplo. No mercado procuro sempre
comprar alimentos de época", afirmou Ana.
Em
contraponto com a bióloga, a moradora da Barra da Tijuca, que preferiu se
identificar apenas como E.S., de 54 anos, trabalha com o comércio e afirma que
não vê o aquecimento global como uma consequência das ações do homem. "Não
pretendo mudar meus hábitos para evitar algo que já é previsto para acontecer
há anos pelos cientistas. O homem pode até acelerar o processo, mas não acho
que as minhas ações irão influenciar tanto, sou apenas uma em meio a
tantos", contou a vendedora.
Chega a ser assustador passarmos por paisagens que antes conhecíamos de uma maneira e hoje não vemos mais nada daquilo que era. O rio Paraíba do Sul, que faz a divisa do Rio de Janeiro com Minas Gerais, é um exemplo desse contraste do passado com o presente. Pra mim, que faço conexão Rio x Minas direto (por ter vindo de lá), é assustador ver como esse rio parecia uma cachoeira antigamente quando passávamos por esse trecho e hoje em dia é apenas um córrego pequeno, onde a água não consegue nem fluir direito. O racionamento é uma realidade para o pessoal do sudeste. São Paulo, como comentado na matéria, teve seu maior ibope por ser capital, mas isso não exclui o interior do Rio e de Minas que também ficam as vezes um dia inteiro sem água.
ResponderExcluirAssim como a entrevistada da matéria, também acho que tudo que façamos a partir de agora tem que ser revertido em preservação do meio ambiente. Uma das nossas chances, além de cada um fazer sua parte, é que essa Conferência do Clima, que vai acontecer em Paris, saia com soluções plausíveis a curto prazo para o planeta.