quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Devemos cuidar mais do mundo onde vivemos


Karine Gomes
                                                                                                            





            Existem várias formas de poluição que afetam diariamente as pessoas, como a exposição aos poluentes atmosféricos e a resíduos não biodegradáveis. E a culpa disso tudo é nossa. É o que diz a encíclica Laudato Si’, lançada em junho desde ano. O livro funciona como uma carta do Papa Francisco para a humanidade e trata dos cuidados que devemos tomar com o meio ambiente. Segundo o livro, é recorrente que autoridades só adotem medidas de conservação após a poluição produzir efeitos irreversíveis na saúde das pessoas.
            De acordo com a engenheira florestal Letícia Souza Martins, isso ocorre porque as empresas visam o lucro. Sendo assim houve um progresso desordenado nas cidades, ou seja, deixaram de lado o meio ambiente. Para ela, faltaram profissionais adequados na hora do planejar o crescimento:
            - Muitas empresas possuem poucos engenheiros, e os poucos que tem usam como multitarefas. Então isso faz com que profissionais atuem na área que não possuem especialização, como a florestal ou de meio ambiente. Um trabalho mal feito pode ter efeitos catastróficos, como a escassez de água ou extinção de uma espécie  – disse.

Natureza pede socorro

            Para a encíclica, grande parte dos problemas ambientais se dá por causa da cultura do descarte da sociedade. Ele cita o exemplo do lixo, que na maioria das vezes é desperdiçado, sem ser reciclado. A aposentada Esmé Lira, de 78 anos é um exemplo dessas pessoas que ainda não pararam para pensar no problema que estamos vivendo.
            - Se eu vou à rua, têm lugares que nunca tem uma lixeira perto. Um lixinho que eu jogo no chão não vai fazer a diferença, né? – questionou.
            Em relação à água, a encíclica recorda que é um recurso natural finito. Mas lembra também que é um bem de extrema importância, já que é indispensável para a vida humana. O que está acontecendo hoje em dia é que a procura pela água é maior do que a oferta em grande parte do mundo. A advogada Luciana Silva, de 43 anos, tenta fazer a parte dela:
            - Eu economizo água sempre que possível: deixo acumular bastante roupa para lavar na máquina, não uso a mangueira para lavar o quintal e nem deixo torneira aberta se não estou usando. Acho que se todos fizessem um pouco disso já ajudaria bastante – afirmou.
            Para não piorar mais a situação, foi marcado para o final do ano a Conferência de Paris, que vai discutir medidas para conter a emissão de gases que causam o efeito estufa, além do aumento do nível do mar. O objetivo é limitar o aumento da temperatura em até 2ºC, além de evitar o clima se modifique tanto a ponto de favorecer fenômenos extremos, como derretimento de neve e incêndios florestais.

Um trabalho
mal feito pode
ter efeitos
catastróficos,
como a escassez de
água ou a extinção
de uma espécie.”

Letícia Souza Martins
 Engenheira Florestal.


Saída: planejamento e educação

            Um fato que não devemos esquecer é que vivemos em um mundo finito com recursos também finitos. A água potável pode acabar, o ar poder ficar em condições não-respiráveis e cidades podem sumir arrastadas pela água do mar. Mas ainda há soluções para evitar o pior. De acordo com Letícia, um dos meios de melhorar a situação do meio ambiente nas grandes cidades é o planejamento das autoridades. Para ela, as leis do Código Florestal devem ser fiscalizadas e colocadas em prática para evitar danos futuros:
            - As empresas precisam ficar mais sustentáveis. Elas precisam procurar meios do uso consciente, tanto da água e dos produtos, quanto de resíduos da construção civil. Devem fazer o uso de tintas sem solvente e materiais menos agressivos de forma geral, além do uso de madeira legalizada e diminuir o transporte, ou seja, minimizar a distância entre a fábrica e a construção, pois ocorrerá a diminuição de gases poluentes – ponderou Letícia Souza Martins.
            Além disso, para ela, a educação ambiental deve ser matéria obrigatória nas escolas. Ela concorda quando o Papa diz na encíclica que “já não se pode falar de desenvolvimento sustentável sem uma solidariedade intergeneracional”. Isso quer dizer deixar de pensar de forma individual e lembrar das gerações futuras:
            - Atualmente algumas pessoas estão mais conscientes, mas não podemos esquecer que os impactos podem ocorrem após muitos anos. Se não cuidarmos agora, não haverá condições para viver no futuro – disse.

            Se hoje a natureza está dessincronizada, talvez, tomando essas medidas, a gente consiga colocar o meio ambiente em seu estado natural, ou perto disso.

Um comentário:

  1. O cuidado com a casa comum começa com a educação. Ainda existem pessoas no mundo que não têm consciência da importância da reciclagem, de economizar água, de não jogar lixo nas ruas. Para alguns pode até parecer óbvio, mas como apresentado na matéria, existem pessoas sem conhecimento, como a aposentada Esmé Lira, de 78 anos. Ela não sabe o impacto de sua atitude de jogar lixo nas ruas. O senso comum pode até mesmo considerar que "é apenas um papel", mas se cada um pensar da mesma forma, e assim cada pessoa jogar papel nas ruas, vão se acumulando grandes quantidades que acabam entupindo e sujando as ruas. Quando vem uma chuva forte aqueles papéis acumulados não deixam a água escorrer, e assim acontece alagamentos, que poderiam ser totalmente evitados. O que podemos fazer? Investir em educação, nas escolas e fora dos muros dos colégios.

    Thâmily - 7h

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