Karine Gomes
Existem
várias formas de poluição que afetam diariamente as pessoas, como a exposição
aos poluentes atmosféricos e a resíduos não biodegradáveis. E a culpa disso
tudo é nossa. É o que diz a encíclica Laudato
Si’, lançada em junho desde ano. O livro funciona como uma carta do Papa
Francisco para a humanidade e trata dos cuidados que devemos tomar com o meio
ambiente. Segundo o livro, é recorrente que autoridades só adotem medidas de
conservação após a poluição produzir efeitos irreversíveis na saúde das
pessoas.
De
acordo com a engenheira florestal Letícia Souza Martins, isso ocorre porque as
empresas visam o lucro. Sendo assim houve um progresso desordenado nas cidades,
ou seja, deixaram de lado o meio ambiente. Para ela, faltaram profissionais
adequados na hora do planejar o crescimento:
- Muitas
empresas possuem poucos engenheiros, e os poucos que tem usam como
multitarefas. Então isso faz com que profissionais atuem na área que não
possuem especialização, como a florestal ou de meio ambiente. Um trabalho mal feito pode
ter efeitos catastróficos, como a escassez de água ou extinção de uma espécie – disse.
Natureza pede socorro
Para a
encíclica, grande parte dos problemas ambientais se dá por causa da cultura do
descarte da sociedade. Ele cita o exemplo do lixo, que na maioria das vezes é
desperdiçado, sem ser reciclado. A aposentada Esmé Lira, de
78 anos é um exemplo dessas pessoas que ainda não pararam para pensar no
problema que estamos vivendo.
- Se eu vou à rua, têm lugares que
nunca tem uma lixeira perto. Um lixinho que eu jogo no chão não vai fazer a diferença,
né? – questionou.
Em relação à água, a encíclica
recorda que é um recurso natural finito. Mas lembra também que é um bem de
extrema importância, já que é indispensável para a vida humana. O que está
acontecendo hoje em dia é que a procura pela água é maior do que a oferta em
grande parte do mundo. A advogada Luciana Silva, de 43 anos, tenta fazer a
parte dela:
- Eu economizo água sempre que
possível: deixo acumular bastante roupa para lavar na máquina, não uso a
mangueira para lavar o quintal e nem deixo torneira aberta se não estou usando.
Acho que se todos fizessem um pouco disso já ajudaria bastante – afirmou.
Para não
piorar mais a situação, foi marcado para o final do ano a Conferência de Paris,
que vai discutir medidas para conter a emissão de gases que causam o efeito
estufa, além do aumento do nível do mar. O objetivo é limitar o aumento da
temperatura em até 2ºC, além de evitar o clima se modifique tanto a ponto de
favorecer fenômenos extremos, como derretimento de neve e incêndios florestais.
“Um trabalho
mal feito pode
ter efeitos
catastróficos,
como a escassez de
água ou a extinção
de uma espécie.”
Letícia Souza
Martins
Engenheira Florestal.
Engenheira Florestal.
Saída: planejamento e
educação
Um fato que não devemos esquecer é
que vivemos em um mundo finito com recursos também finitos. A água potável pode
acabar, o ar poder ficar em condições não-respiráveis e cidades podem sumir
arrastadas pela água do mar. Mas ainda há soluções para evitar o pior. De
acordo com Letícia, um dos meios de melhorar a situação do meio ambiente nas
grandes cidades é o planejamento das autoridades. Para ela, as leis do Código
Florestal devem ser fiscalizadas e colocadas em prática para evitar danos
futuros:
- As empresas precisam ficar mais sustentáveis.
Elas precisam procurar meios do uso consciente, tanto da água e dos produtos,
quanto de resíduos da construção civil. Devem fazer o uso de tintas sem
solvente e materiais menos agressivos de forma geral, além do uso de madeira
legalizada e diminuir o transporte, ou seja, minimizar a distância entre a
fábrica e a construção, pois ocorrerá a diminuição de gases poluentes –
ponderou Letícia Souza Martins.
Além
disso, para ela, a educação ambiental deve ser matéria obrigatória nas escolas.
Ela concorda quando o Papa diz na encíclica que “já não se pode falar
de desenvolvimento sustentável sem uma solidariedade intergeneracional”. Isso
quer dizer deixar de pensar de forma individual e lembrar das gerações futuras:
- Atualmente algumas pessoas estão mais
conscientes, mas não podemos esquecer que os impactos podem ocorrem após muitos
anos. Se não cuidarmos agora, não haverá condições para viver no futuro – disse.
Se hoje a natureza está dessincronizada,
talvez,
tomando essas medidas, a gente consiga colocar o meio ambiente em seu estado
natural, ou perto disso.
O cuidado com a casa comum começa com a educação. Ainda existem pessoas no mundo que não têm consciência da importância da reciclagem, de economizar água, de não jogar lixo nas ruas. Para alguns pode até parecer óbvio, mas como apresentado na matéria, existem pessoas sem conhecimento, como a aposentada Esmé Lira, de 78 anos. Ela não sabe o impacto de sua atitude de jogar lixo nas ruas. O senso comum pode até mesmo considerar que "é apenas um papel", mas se cada um pensar da mesma forma, e assim cada pessoa jogar papel nas ruas, vão se acumulando grandes quantidades que acabam entupindo e sujando as ruas. Quando vem uma chuva forte aqueles papéis acumulados não deixam a água escorrer, e assim acontece alagamentos, que poderiam ser totalmente evitados. O que podemos fazer? Investir em educação, nas escolas e fora dos muros dos colégios.
ResponderExcluirThâmily - 7h