quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Autoridades pedem engajamento ecológico




Encíclica 'Laudato Si' e COP 21 propõem reflexões sobre clima


Caio Santana




            A agenda ambiental de 2015 foi surpreendida pelo lançamento da Encíclica Laudato Si', carta de chamado mundial para as questões ambientais, publicado em junho, pelo Papa Francisco. O subtítulo do documento é "Sobre o Cuidado da Casa Comum", que reforça a ideia de motivar a população a ter atitudes ecológicas e serem protagonistas da causa que é coletiva.

            O biólogo e reitor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Padre Josafá Carlos de Siqueira, afirmou que a ação do Papa Francisco foi um marco histórico dentro da Igreja Católica. Foi o primeiro documento publicado que não é direcionado aos fiéis, e sim ao público diverso.

O tema chegou com força nas universidades. Leonardo Zielinsky, estudante de empreendedorismo da PUC-Rio, aproveitou o tema para desenvolver o projeto Disjuntor Zero. O aparelho buscar reduzir o gasto elétrico a partir do desligamento automático de aparelhos que permanecem ligados em modo stand by, responsáveis por até 12% do gasto de luz familiar. “Mais que empreender, é importante inspirar outros jovens. Quanto mais gente trabalhando pela natureza, mais possibilidades nós teremos de tornar o mundo um lugar melhor”.

O desafio encontrado pelos engajados nessas questões é, nesse momento, alcançar com mais força a grande a massa. As lideranças políticas, religiosas e científicas já sabem da movimentação. Nesse momento, é necessário articular ações para que mais pessoas saibam e que se motivem a participar.


Conferência em Paris


      Em busca de mais compromisso das lideranças mundiais para preservação do meio ambiente, sobretudo no que diz respeito à mudança climática, a 21ª Conferência das Partes das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (COP 21) pretende limitar o aumento da temperatura do planeta a 2ºC acima da média pré-industrial. O evento reduzir os efeitos do aquecimento global.

     A Conferência será em Paris, na França, entre os dias 30 de novembro e 11 de dezembro.  Diferentemente da Rio+20, em que não houve a participação dos países mais importantes, a organização da COP 21 se esforça para que as autoridades estejam presentes. Entre eles, os mais esperados são China e Estados Unidos.

     A partir das acordos e reflexões geradas ao longo das três semanas em Paris, especialistas engajados no tema espera ver resultados efetivos no Brasil. “Todo cidadão tem direito a um ambiente ecologicamente equilibrado, garantido pela Constituição Brasileira, no artigo 255. Portanto, cabe ao Estado e a cada cidadão manter esse equilíbrio. Evitar o desperdício e o consumo excessivo é uma forma simples de contribuir para a preservação de recursos naturais”, afirma a bióloga e professora do Colégio Pedro II Izabella Coutinho.



“Mais que empreender,
é importante inspirar
outros jovens. Quanto
mais gente trabalhando
pela natureza, mais
possibilidades nós teremos
de tornar o mundo um
lugar melhor"


Leonardo Zielinsky

Estudante de Empreendedorismo


Insustentabilidade: consequências em cadeia

Tudo que é relacionado à natureza tem funcionamento cíclico: o ciclo da chuva, o ciclo do ar, a cadeia alimentar. Da mesma forma se relacionam as práticas não sustentáveis, podendo tomar proporções globais.

Em contexto local e palpável, está o consumo sem controle, que associado à baixa taxa de reciclagem, gera resíduo excessivo e, consequentemente, polui o ambiente. Parte do lixo descartado libera metais tóxicos e poluem os solos. Essas substâncias contaminantes atingem lençóis freáticos, rios e cursos hídricos, impossibilitando o consumo de água e intoxicando alimentos e animais criados cultivados e criados próximos a esses locais. Com isso, há aumento no número de cidadãos doentes, fato que além de causar perda de vidas inocentes, gera mais lixo hospitalar durante o tratamento dos enfermos. As chances desse lixo ser descartado na natureza são grandes. Segundo a última pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, realizada em 2011, 20% do lixo hospitalar produzido no Brasil não é tratado.

“O ritmo de consumo, desperdício e alteração do meio ambiente superou de tal maneira as possibilidades do planeta, que o estilo de vida atual – por ser insustentável – só pode desembocar em catástrofes, como, aliás, já está a acontecer periodicamente em várias regiões”, reforça Papa Francisco na Encíclica Laudato Si'.

Se a dificuldade for pensar numa esfera macro a importância de preservar o meio ambiente, é possível transportá-lo para o micro, com consequências no dia a dia. Elas passam pela esfera da saúde, da falta d’água e do caos urbano. Seja por exposição ao dióxido de carbono e sua complicação nas doenças respiratórias ou a contaminação do solo com metais pesados, desenvolvendo na população enfermidades como o itai-itai (contaminação por cádmio) e doenças nervosas provocadas por neurotoxinas. A crise hídrica já chega a torneira de casa, pois os rios estão poluídos desde a nascente, e os reservatórios não suportam o alto consumo e desperdício. As enchentes que ocorrem por dificuldades de escoamento, uma vez que os bueiros estão entupidos por lixo.

Tudo isso é apenas parte do que cada cidadão comum pode contribuir. As mazelas da política de sustentabilidade, os acordos internacionais não cumpridos, governos despreparados e empresas despreocupadas são assuntos pra outros cafés com bolachas, se houver água para fazê-los.

2 comentários:

  1. Escrever sobre meio ambiente foi uma ótima experiência. Os pontos positivos foram o contato com as pautas atuais de sustentabilidade e a movimentação internacional no tema. A busca por pessoas de áreas diferentes para falar sobre o tema deixou tudo mias rico. No entanto, senti falta de espaço para falar sobre a real responsabilidade nos temas ambientais (agricultura, pecuária, construção civil e indústria). Como trabalhamos na perspectiva das "coisas que o cidadão comum pode fazer para contribuir", ficamos alienados numa visão micro de algo que é macro. A realidade é que sustentabilidade é uma pauta que exige muito mais espaço para conseguir abarcar os temas e perspectivas diversos. Foi um ótimo começo!
    Caio Santana

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  2. A questão do meio ambiente é uma das mais importantes no mundo atual. A preocupação com o rumo que a natureza e seus recursos estão tomando é algo que comove cidadãos e autoridades de diversas nacionalidades. O trabalho de pesquisa realizado na aula e fora dela, nos possibilitou saber como diversos profissionais de várias áreas relacionadas ao meio ambiente, vêem este problema. É importante e sadio saber que, apesar dos pontos negativos nos quais a natureza se encontra, há pessoas que se preocupam e realizam eventos, como a COP 21 para tentar melhorar estas questões. Afinal, os recursos do meio ambiente não são infinitos e nós, seres que habitam o planeta Terra, precisam deles par sobreviver, mas, infelizmente, nem sempre nos lembramos disso e acabamos prejudicando-o.

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